terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A minha mãe era francesa,e fugiu de França aos dezasseis anos.Quando eu nasci ela tinha 22 anos.Era a mulher mais bem feita que conheci até hoje.Não sabia uma única palavra em português.....segundo dizia teve que fazer diversos sacrifícios para me criar,entre alguns o ter de ir trabalhar para o teatro,para me sustentar e se sustentar.Ficava diversas noites sozinha enquanto bebé,esperando pelos intervalos para ela me vir dar de mamar.Mais tarde arranjou-me uma babá,que dispensou quando soube que ela lhe queria roubar o homem que mais tarde foi o meu padrasto.Reconheço que de alguma maneira gostaria de mim,ou talvez não.....Em toda a minha vida,nunca a vi fazer um gesto afectuoso.Lembro-me de todas as tareias e injurias,que me fez,e por mais que queira não me lembro de um carinho ao de um beijo.Era muito diferente dela,e aos oito anos já sem aquela dependência da 1ª infância,comecei a não a suportar.Sofri muito por causa dela Como se convencia que era "perfeita",fazia-me sentir má,a solidão era o preço da minha maldade.A auto-renúncia conduz ao desprezo.Do desprezo à raiva o passo é pequeno.Por fim percebi que o amor da minha mãe era algo que tinha apenas a ver com a aparência,com aquilo que eu eu devia ser e não com o que era de facto,comecei a odiá-la,no segredo do meu quarto,e do fundo do meu coração.Para não ceder a esse sentimento,refugiei-me num mundo muito meu
E assim cresci com a sensação de que era algo semelhante a um animal que devia de ser domesticada,e não um ser humano,uma pessoa,com as suas alegrias,os seus desânimos,a sua necessidade de ser amada.Esse mal-estar depressa gerou dentro de mim uma enorme solidão,uma solidão que com o passar dos anos se foi tornando enorme,uma espécie de vácuo onde eu me movia com gestos lentos e desajeitados.
A minha mãe já estava com o tal homem que foi meu padrasto,que me levou para sua casa antes de levar a minha mãe.Aí eu encontrei dois velhotes,que eram o pai e a mãe do Sr.Fernando Oliveira.Encontrei na mãe e no pai desse Sr.uns enormes e bons amigos,e era com eles que eu passei a desabafar,e a fazer perguntas,que a maior parte das vezes ficavam sem resposta.Primeiro porque eu era muito nova,e eles.....já com muita idade,Eram o meu "avô" e a minha "avó".

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