sábado, 30 de novembro de 2013

Reencontro

Poemas, Reflexões, Pensamentos & Mensagens de Amor e Paz... - UOL Blog
Reencontro
 Lembro-me..........que mal o via,as pernas pareciam emperrar e as
palavra enrolavam na garganta............
Mas o destino,por vezes,surpreende-nos!
Ele seguiu para Leiria,mas combinou comigo vir ver-me daí por uma semana.Andei o resto dos dias com um sorriso estúpido nos lábios.
cabeça meio aérea.Telefonei-lhe na sexta à noite e marcámos um passeio para sábado.Passei a noite toda a pensar no cenário ideal para esse nosso passeio.Dormi pouco.Mas isso não importa.O certo é
que ás 10h já estava na estação dos comboios à espera dele.Ele chegou e nós partimos em direcção a Sintra.Parámos na vila e tomá-
mos o pequeno almoço.E a minha intenção era levá-lo à serra,ou talvez ao Parque da Pena ou aos Capuchos.Mas no meio da conversa,eu disse-lhe que gostaria de ir ver o mar.Era Inverno,mas estava um
lindo dia de sol. Fizemos o trajecto da estrada de Monserrate,devagar a saborear a paisagem  na companhia do meu amado.Contudo,ia-me na cabeça um turbilhão de receios,ânsias,de indecisões....
E se ele se aborrecesse comigo quando lhe dissesse que queria ir conhecer a sua casa de Leiria? Quando
passamos por Colares,já eu estava mais ou menos decidida a arriscar.O primeiro ponto de paragem foi  no
Miradouro das Azenhas do Mar,e nunca aquele casario,empoleirado nas arribas,me pareceram tão belo!
Soprava um ventinho do Norte e ele chegou-se para mim.Poderia ser aquele o momento certo,mas...hesitei! Levei-o então à Praia Grande,com o protesto de ver as pegadas do dinossauro.O mar bravo como o meu coração,o azul do céu e a maré baixa,tudo se conjugava.Passeámos pela praia quase colados um ao outro.Corremos e brincamos como duas crianças.E de repente,embalados pelo marulhar das ondas e o piar das gaivotas,caímos na areia abraçados rindo sem sabermos porquê.Olhei-o nos olhos,ele parou de rir.E sem preferirmos qualquer palavra,beijamo-nos apaixonadamente.Afinal todos os meus receios não faziam sentido!Todas as frases que arranjei não foram necessárias.Foi assim tão simples e belo,o nosso reencontro.Passamos o resto do dia a confessar a paixão que sentia-mos um pelo outro.Também ele continuava a amar-me como outrora.Almoçamos ali mesmo,num restaurante com vista para o mar.Depois fomos à Adraga,subimos ao Fojo.E no alto da Pedra de Alvidrar,ficámos de mãos dadas a ver o pôr-do-sol,a projectar futuros,a visitarmo-nos por dentro....

Novo começo

 
Amor voltei.......
 O João Paulo antes de eu chegar a Portugal,separou-se da mulher.Tinha
duas filhas que viviam com a avó.Eles viviam em Leiria,onde a mulher
depois de o trair,fugiu para a Alemanha. Não foi pois por minha causa que eles se separaram.
Encontrámo-nos no passeio entre as pessoas,abraçámo-nos,beijámo-nos,e eu repito o que sempre disse:"Já não consigo voltar para trás,nunca
mais ".Ele puxa-me para si com força e diz-me ao ouvido:""Nem eu,nem eu".Eu então digo-lhe:"Não consegui ficar longe de ti".....Saí de casa esta manhã para trabalhar sabendo que este dia ia ser muito penoso,sem conseguir concentrar-me.Mas ao chegar à rua,quando as pessoas à minha frente se dispersaram,vi-te parado no mesmo lugar onde costumavas esperar-me........"Não consegui ficar longe de ti,digo eu".Ele não diz nada,descobrindo o que é difícil esquecer."Ainda me queres?"pergunto-lhe aflita."Perdoas-me?""Não te vais arrepender outra vez?""Nunca"! "Vem cá,diz-me ele abraçando-me.E eu agarro-me a ele,enquanto
murmuro "nunca,nunca,nunca........" E ali estamos os dois,sentados frente a frente,separados pela distância cautelosa de uma mesa de permeio.Começamos a falar com a alegria de sempre,abandonando a cautela,
sem dar-mos pelo tempo que pára,uma,duas horas seguidas,evitando tocar no que nos separou.Divertimo-nos entendemo-nos com facilidade,só sabemos que somos feitos um para o outro,que somos inevitáveis,
enfim, que os percursos das nossas vidas haveriam de nos cruzar novamente.Mas nesse tempo todo andamos distraídos,a sonhar outra vida onde cabe a paixão transcendente,a felicidade que já conhecera-mos
ou que,se tiveram alguma,se desfez insensivelmente nos anos.Despedimo-nos na rua.Ele ajeita-me o cabelo
com a ponta dos dedos."Estás igual,diz"."Quem me dera,digo-lhe eu a rir".Ele abraça-me e,num impulso,
beijamo-nos com uma ternura,uma saudade,que nem suspeitávamos . "Sabes,digo eu,embora não tivesse consciência disso,estive sempre à tua espera"!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Não,sim,quer dizer.......

Indecisão
 Um dia o meu patrão não veio trabalhar,ficando em casa doente.Apesar de sentir o meu coração quase a estoirar,resolvi telefonar-lhe,e enquanto esperava
que a telefonista fizesse a ligação,com o fôlego suspenso numa emoção,com a
alma elevada prestes a rebentar o coração,ouvi aquela voz querida que eu era
capaz de reconhecer à légua.......
Está? Quem fala? "ele confuso"
E eu pergunto"é o Sr.João Paulo que fala?"
"Sim sou eu.E a Sra.quem é?"
Vamos ver;respondo eu,vou dar-lhe algumas dicas,e espero que me reconheça.
"Em tempos chamavas-me Kicas"......
Não foi preciso mais nada....."Estava mesmo a pensar em ti,"diz ele,sem se preocupar em fingir que não quer saber de mim."O quê?"pergunto eu.
"A pensar se voltarias um dia......" "Nunca me fui embora,respondo eu,na minha cabeça estive sempre aqui!
"Ontem li no jornal,o que se está a passar na África do Sul,e estava com medo que te acontecesse algo....."
"Preciso de ti, do teu amor,hoje mais do que nunca."Acho que ele estranhou a minha declaração,pois já não
nos víamos há muito tempo.Ele emudeceu baralhado.....eu insisto.
"Não me queres?"
"Claro que quero,sabes bem que sim."
"Então porque desistis-te tão facilmente?"
"E tu porque desistis-te?"Eu não desisti,explico,só queria ter a certeza que me amavas"...."Mas eu amava-te,
eu amo-te,tu sabes.""Mas preciso que me digas todos os dias,queria que não te importasses com o que te
dizia e que lutasses por mim.""Rejeitaste-me só para eu lutar por ti,diz ele,(é mais o reflexo da sua incredulidade do que uma pergunta)"."Era um teste,digo eu,para reforçar a nossa relação.""E chumbei no teste?""Claro que chumbaste!" Disseste que não,mas querias dizer que sim....""Não,quer dizer sim,disse-te
que não mas dei-te a entender que sim". Ele abana a cabeça, desconcertado,"gostava de perceber o que vai na tua cabeça......"Não tentes,aviso-o eu,porque ás vezes nem eu sei....."Combinamos então encontrar-nos no fim-de-semana.......
   

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Princípio de vida em Portugal

Curso de informática 
Estávamos a almoçar em casa da minha amiga,quando chegou o filho dela
A frase que lhe saiu foi,"Então primeiro eram dois,agora já são quatro a
comer à borla?"Não fizemos nenhum sinal entre nós mas,foi instantâneo
levantámo-nos todos ao mesmo tempo,e já não comemos mais nada.A
minha amiga pediu-nos desculpa,mas já não houve nada a fazer.Eu nesse
mesmo dia com o dinheiro que havia trazido,mais algum dos meus filhos
fomos arrendar uma casa,na mesma rua da minha amiga e mudámo-nos.
Dormimos no chão,mas começámos nova vida.
A princípio tudo me parecia impossível,mas depois de algum tempo,esta garra que nunca me abandona,
voltou novamente.Peguei no Jornal e procurei emprego.Nos primeiros dias foi difícil.Depois tive uma conversa com os meus filhos e resolvemos que iríamos pôr dentro de nossa casa,um hóspede.A minha
amiga Antónia,talvez para se redimir daquilo que o filho nos havia dito,arranjou-me um rapaz para o quarto
o qual,era partilhado com o meu filho PJorge.Na sala,ficaram o Zé e o JCarlos.Fui tirar um curso de informática,que naquele tempo ainda era Msdos,ao mesmo tempo arranjei um emprego em Moscavide.
Daí a dias a MªAntónia,voltou a arranjar-me emprego para os meus dois mais velhos numa fábrica de roupeiros.Por fim estávamos todos empregados! Mas a minha vida era uma correria.Começava ás 6,30h
da manhã,a fazer marmitas para eles levarem, dar o pequeno almoço ao mais novo,e a deixar-lhe o lanche para a tarde,e jantar para todos.Ás 7,45h apanhava o comboio para Lisboa,e aí o autocarro para Moscavide,onde tomava o 1ºcafé.Quase sempre o meu patrão só chegava por volta das 14h.Tinha portanto
toda a manhã para trabalhar procurando novos clientes fazendo contactos.Há tarde saía por volta das 19h.e
ás 20h.tinha aulas até ás 22h.Vinha a pé pela a Av. da Liberdade,e apanhava o comboio para o Cacém por
volta das 22,30h.chegando a casa ás 23,15h..E lá começava tudo outra vez.....
Foi nessa altura também que fomos a Condeixa buscar as nossas coisas.Quando abri a porta da garagem,
quase desmaiei pois as melhores coisas tinham desaparecido,assim como o carro!O desgraçado do Zé(grande),não contente por nos ter abandonado,ainda se sentiu no direito de escolher e levar tudo aquilo que quis! Um dia telefonou-me do Canadá,mas recusei falar-lhe.O que disse aos meus filhos foi:"Não vos posso impedir de falarem com o vosso pai,mas comigo ele não falará nunca mais!".

















 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Abandono

Agualva - Cacém
 No Algarve conseguimos emprego para os quatro no
Camping de Albufeira.Nós os dois tomamos conta da parte do takeaway e os meus filhos na Boite,um como empregado de mesa e o outro como Barmen.E assim nos mantivemos,mas entretanto,os meus filhos apareceram com hepatite B,e eu já não sabia o que devia de fazer,
pois tinham que fazer dieta,o que era muito complicado naquele local.Falei com a minha mãe,por telefone e ficou combinado que o PJorge viria para Lisboa,
e que eu ficaria com o Zé,para o tratar.Assim ao fim de vinte longos dias,lá consegui ter os meus rapazes,
juntos e curados.Mas, o PJorge ao voltar levou com ele o JCarlos,(o meu caçula),pois como a escola tinha acabado,a minha mãe dizia que não o podia aturar!
A estação de Verão estava a terminar,e eu resolvi,ficar com o miúdo mais uma semana no Algarve,e depois
vim com ele para Lisboa,deixando os dois mais velhos com o pai,para fazerem os preparativos do encerramento do Camping.Levava comigo o ordenado do mês,e mais algumas grojetas.As nossas mobílias e
tudo o resto,tinham ficado na garagem da casa onde havíamos morado em Condeixa.Felizmente que eu fiquei com uma chave.....Fui para casa de minha mãe,e no dia seguinte,fui visitar uma amiga que vivia no Cacém.Não me demorei a não ser algumas horas da parte da tarde,mas quando cheguei a casa ,ela disse-me que tinha que pôr o meu filho na rua,porque não o podia aturar.E queria-o pôr na rua ás
24h!E aí eu opôs-me porque,não se põe uma criança de 11 anos na rua àquela hora!
Ás seis e meia do dia seguinte,peguei no meu filho e nas malas,e tomei o caminho da casa da minha amiga
Antónia que morava no Cacém.Fui muito bem recebida por ela que pôs logo a sua casa ao nosso dispor.
Estivemos aí uma semana com o meu mais novo.A minha amiga tinha um filho de 19 anos que andava metido na droga,embora eu naquela altura o não soubesse.Na semana seguinte recebi uma chamada dos meus filhos mais velhos,dizendo que o pai os havia deixado sozinhos,dizendo que ia ver a mãe que estava muito mal.Entretanto eles souberam que o pai havia saído do Camping com uma miúda de 18 anos!
Não senti absolutamente nada a não ser uma grande sensação de descanso.Ele tinha-se ido embora por fim,
foi pena não ter ido há mais tempo!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Mais uma mudança

Algarve
Os meus filhos todos os dias viam sair coisas de casa.O pai não fazia um
esforço para arranjar trabalho.Os miúdos resolveram ir para as obras.O
meu coração sangrava quando à noite via as suas mãos calejadas e feridas.....pensava,que nunca me devia de ter metido naquele avião para Portugal. Um dia,depois de muita discussão resolvemos ir ao Algarve,à
procura de trabalho,estávamos no princípio do Verão.O Zé ainda tentou
que fossemos para França,e que "abandonássemos"os meus filhos com a
minha mãe,mas eu que já havia perdido as minhas filhas,não estive de acordo,e resolvemos ir tentar a nossa sorte os quatro O JCarlos como
andava na escola,resolveu-se,que ficava com a minha mãe.Um dia,comecei a fazer os preparativo para seguirmos para o Algarve,quando uma pasta do Zé caiu no chão,e eu vi umas cartas que por virem assinadas por "Vanda",me despertaram a curiosidade.Comecei a ler uma que dizia assim:"Zé venho dizer-te
que não contes mais comigo para ir ter contigo a Portugal.Também te quero pedir para que não me telefones mais,visto que o meu marido no outro dia me apanhou a falar contigo,e deu-me uma sova que quase me ia matando.Esquece o que houve entre nós pois por meu lado eu já esqueci! Vanda".
Não posso dizer que senti raiva,para o sentir eu tinha que o ter amado,eu não o amei mas,sempre lhe fui fiel,e admirava-o.Agora é que eu percebia como ele sabia das coisas que passavam e que estupidamente
contava à sua amante.Afinal tudo aquilo que o meu filho mais novo dizia que ouvia era verdade...os beijos.os gemidos....Quando ele chegou a casa confrontei-o com o que eu havia descoberto.E disse-lhe:
"Não vale a pena falarmos,para quê,quanto mais falarmos mais a gente se magoa um ao outro,fomos nos
distanciando tanto com o tempo,sinceramente nunca imaginei que isto acontecesse."
A partir daí as coisas começaram a correr mal devagarinho,quase que não demos conta disso de repente,
tão longe um do outro,linguagens diferentes,falta de paciência,silêncios que magoam,frases a que não se responde,uma irritação surda,uma impaciência que se tenta disfarçar sem se conseguir disfarçar totalmente,
um desconforto mudo mas presente,cada vez mais presente,uma espécie de enjoo,uma espécie de desgosto,
e me encontro a perguntar,o que faço aqui,o que fazes aqui,qual o motivo de continuar-mos juntos se não faz sentido,qual o motivo de teimarmos ainda? Já nada nos une a não ser os filhos,e por isso a nossa vida tornou-se árida sem sentido.

domingo, 27 de outubro de 2013

Último Adeus

Viagem de regresso
Antes de sair de África,fui despedir-me da Vanda,indo a sua casa,
onde em vez dela encontrei o marido.Enquanto esperava, ele perguntou-me para quando o meu regresso a Portugal,respondi-lhe
que daí a dois dias.A resposta dele,foi,"acho muito bem,as mulheres
querem-se com os seus maridos".Achei estranho aquela resposta.
Seria que ele julgava que eu tinha deixado o Zé porque tinha um amante?Mas depressa deixei de pensar no assunto,porque entretanto
a Vanda chegou,e com as despedidas,os beijos e os votos de felicidade,depressa me esqueci da conversa.
Quando chegamos a Lisboa o Zé estava à nossa espera.Os miúdos
não estavam muito receptivos,mas como tudo era novidade para eles,
depressa passamos a contemplar a cidade,e encetamos a viagem para
Condeixa,que era onde a irmã do Zé tinha uma mercearia,e o marido era construtor civil.Telefonei à minha
mãe,mas não fui lá,pois estava com vontade de ver a casa que o Zé havia alugado para nós,e também porque precisava de descansar.A casa era fantástica,nunca mais tive uma casa tão boa como aquela.Tinha três quartos e uma sala,onde as coisas que eu possuía,(e eram muitas),ficavam a nadar.Mas embora eu gostasse do que via ainda não me sentia à vontade.Tudo me veio de novo à lembrança......e perguntei ao Zé
como era?! O que tencionava fazer,quais eram os planos para o futuro? Respondeu-me que estava tudo controlado e que para começar iríamos pôr os miúdos a estudar numa escola que havia ali em Condeixa.Não fiquei nada entusiasmada,porque eu sabia que os meus filhos mais velhos,que no colégio onde tinham andado,eram alunos de quadro de honra,seria muito difícil,pois eles sabiam muito pouco de português.Em casa eles falavam em inglês,e eu respondia em português,como seria que eles iriam resolver este problema?
O tempo foi passando,a princípio dava-me com a irmã do Zé,embora eu a achasse cínica,não só comigo como também com os clientes.Eu tinha vindo com bilhetes de ida e volta.Como eu via que o Zé estava um
pouco mais sovina no que dizia respeito ao gasto doméstico,um dia perguntei-lhe o que se passava.....ao
que ele me respondeu que havia emprestado uma avultada quantia ao cunhado,e ele ainda não lhe havia devolvido,por estar à espera de um empréstimo bancário,que o mesmo havia pedido ao banco.Passado
algum tempo o Zé começou a vender algumas coisas que havíamos trazido de África.Já farta desta situação
resolvi dirigir-me ao Banco,e perguntar como estava o caso do empréstimo do meu "cunhado",ao que o
Director me respondeu,que não havia nenhum pedido de empréstimo,e mesmo que houvesse,não lhe emprestariam pois ele estava em banca rota.Dirigi-me a casa,e fui buscar os bilhetes com intenção de voltar novamente a África,só que eles haviam expirado dois dias antes!