domingo, 31 de março de 2013

Partida para Damasco

Damasco
 Quando chegamos a Beirute,na surté,logo há entrada,uma mulher com a 
  cara toda cortada,contou-nos que havia ficado assim,pois tinha prometido ir
  dormir com um cliente,e como não foi........
   Aquilo nunca mais me saiu da cabeça e prometi a mim mesma que jamais
   prometeria a ninguém ir dormir;quando algum se insinuava eu,dizia que ia 
   pensar,e bebia,bebia até "cair",e no final da noite o meu chefe e a sua     
   mulher,como eu era a mais novinha do grupo,pegavam em mim e levavam-
   -me para a pensão.
Assim se passaram alguns meses. Até que um dia,(a nossa pensão tinha uma varanda sobre o mar),joguei a
fotografia do João Augusto,rasgada no mar.Nunca mais queria sofrer por amor!
No dia seguinte,tivemos conhecimento que íamos embora para a Damasco-Sirie.E foi também nesse dia que
tive conhecimento que o dono do Cabaret onde trabalhávamos,estava apaixonado por mim. Uf ainda bem que nos fomos embora!.Quando a tarde termina,chegamos a Damasco,o céu abre-se sobre a cidade e um sol frágil irrompe por entre as nuvens douradas que se dispersam lentamente a favor de um vento suave.
Observo a noite a descer pelos prédios,as sombras que crescem,pesadas,os candeeiros que se acendem,reparo no movimento,nos passos abafados dos transeuntes ensímesmados.Depois é o desfazer de malas,o jantar pois amanhã será dia de ensaios.

sábado, 30 de março de 2013

Partida para Beirute-Libanon

partida para Beirute
E começou assim uma amizade colorida. Mudei de quarto,arranjamos um
independente no Chiado,comprou-me jóias,sapatos,malas e roupas.Consegui
fazer as pazes com a minha mãe,e agora já tinha dinheiro para comprar coisas para a minha filha.Passaram-se seis meses,e aquilo que tinha começado por uma amizade,a pouco e pouco foram-se suportando,. apenas
enredados numa indiferença mútua.
Um dia ouvi dizer, que havia um ballet que estavam a ensaiar para ir para o Médio Oriente.O chefe de ballet só me perguntou se eu gostava de dançar,
como lhe dissesse que sim,contratou-me.Agora era só dizer-lhe que me ia embora..........ele permanecia na rua encostado ao carro a pensar possivelmente em mim,talvez consciente que me ia perder.......eu gostava dele,houve alturas em que necessitei muito do seu apoio,mas aquilo não era amor.Isto que tinham não era o que queriam pois passam a maior parte do tempo de costas voltadas,como se caminhassem lado a lado pelas margens diferentes de um rio.
Cheguei ao pé dele e contei-lhe que consegui.
Então ele diz-me:
É isso que tu queres? Pergunta-me
É,fiz que sim com a cabeça
Ele encolhendo os ombros diz.
Tá bem.
Sinceramente fiquei incomodada com a reacção,e perguntou-lhe
Não ficas chateado comigo?
Não, responde.
Muito bem,então vamos falando.
Sim,claro concordou ele.
Despedem-se e nunca mais se vêm,
Hoje,já nem me lembro como se chamava........

Vida de palhaço

vida de palhaço
 A minha vida continuou ainda algum tempo.sem grandes variações.
 Até que um dia sem eu saber bem porquê,as minhas colegas me convidaram a
 ir com elas,(á saída do teatro),ao Nina que era um clube nocturno que ainda 
 hoje existe.Não vi mal nenhum nisso,a minha vida era muito árida,e eu pensei     que seria algo diferente.Assim que entramos compreendi que não gostava daqueles ambientes,luzes psicadélicas a piscarem cores que encadeavam,
 musica demasiado alta,da confusão de pessoas a dançarem,atropelando-se
alegremente,lançando gargalhadas ruidosas que se perdem debaixo de decibéis 
elevados.Entretanto,um empregado chegou ao pé de mim com uma bebida
dizendo que um Sr.que estava no balcão,me havia enviado.Arrisquei um olhar 
tímido por cima do ombro,e encarei com um velhote,que me fez uma saúde com o copo.Agradeci-lhe fazendo o mesmo sinal.Poucos minutos depois,o tal Sr. veio sentar-se a meu lado.Tomamos mais algumas bebidas,perguntou-me como tinha vindo até ali,expliquei-lhe,e disse-lhe que fazia parte do elenco do Teatro Maria Vitória,e no final da noite foi-me pôr a casa,Perguntou-me se podia convidar-me para almoçar no dia
seguinte,disse-lhe que não,pois derivado ao adiantado da hora,eu deveria de me deitar e dormir oito horas,
as quais eu necessitava.Despedimo-nos até um dia!
Mas,no dia seguinte recebi no meu camarim,um ramo de rosas vermelhas,com um bilhete para jantar.Aceitei
e jantamos mesmo no Parque.Conversamos e ele disse-me que havia vindo de Angola,era viúvo e que precisava de uma pessoa para lhe fazer companhia ,e quem sabe algo mais.....Pedi-lhe tempo para pensar,
mas a vida era dura,quando se está só,e que mal teria se eu tivesse um amigo?   
  

terça-feira, 26 de março de 2013

Chorar por amor a minha filha

chorando pela minha filha
Escrevemos porque nos ensinaram a juntar letras e a compor palavras que podem expressar aquilo que vemos,ouvimos e sentimos.Contamos porque sabemos que a representação dos números é um caminho possível para enumerar o caos e contabilizar quase todas as coisas da vida.Rimos e choramos porque no trajecto da infância,algures numa curva mais doce,ou mais sinuosa,percebemos que a água salgada dos olhos nos lava a alma,ou que o som estridente de uma gargalhada é mais poderoso que qualquer fármaco.Em suma,experimentamos uma série de sentimentos e estados de alma e manipulamos meia dúzia de faculdades porque as aprendemos.E foi mesmo esse estado de alma que me fez ter medo daquela vida que agora encetava.Que podia  mais eu fazer? A vida em Portugal estava tão mal que não havia posições,a não ser para pessoas com os seus cursos acabados,e o meu tinha ficado pelo terceiro ano comercial.Também não tinha pessoas poderosas que me metessem num cargo bem remunerado que me desse a possibilidade de eu poder viver com a minha filha.Eu queria poder ir vê-la,pegar-lhe dar-lhe beijos e carinhos,mas algo me impedia,talvez porque não tinha nada para lhe oferecer,como a minha mãe me tinha feito a mim,deixá-la sozinha num quarto alugado,(pois isso eu tinha,uma colega havia-me arranjado),enquanto eu contracenava.Não isso eu não podia fazer! Entretanto a minha mãe, casou com o meu padrasto,para poder pedir a custódia da minha filha.Aí eu compreendi que a havia perdido para sempre,pois como o meu padrasto era estéril,a minha mãe havia arranjado maneira de lhe dar uma filha,a minha........

segunda-feira, 18 de março de 2013

Estreia no Teatro

Teatro
                                                 Ela anda ás voltas na rua durante horas.Vai dar à entrada do Parque Mayer quase sem dar por isso.Aproxima-se do gradeamento e
inclina-se ligeiramente para a frente,tendo a ilusão de que está a planear no céu.Por
momentos esquece-se do assunto que a aflige e dá consigo a tentar saber o que vai
fazer.Tenta perceber.localizar a zona que está observar.Distrai-se com isto até o seu espírito regressar ao problema e sentir um aperto no peito,uma angústia.Recua
um passo,volta-se olhando em redor,decide sentar-se num banco de madeira ali mesmo à frente.Está nervosa indecisa quanto ao que fazer.Uma mulher jovem passa à frente dela,e começa a gritar para outra,"O ensaio já começou?"A outra responde:"Não,ainda estão a escolher novas para o ensaio."
Ao ouvir aquilo,pensei"porque não?"-Se foi bom para a minha mãe,porque não para mim?
-Tomei uma decisão,fui direita ao Teatro Maria Vitória,e pedi uma posição naquela revista.Sempre fui bonita,nunca fui tão bem feita como a minha mãe,pois tinha 5kg.a mais do que o devia.
Naquele tempo,o escritor da revista era o Aníbal Nazareth,que ao ver-me me deu uma posição como discí-
pula.Para quem não sabe são aquelas moças que têm pequenas rábulas,com os principais actores.A minha
primeiro peça foi "Tudo na Lua",com a Bibi Farreira,Salvador,Humberto Madeira,Mimi Gaspar e tantos
outros.Tivemos em cena seis meses.
                                               

                                                                                                      
                                                             


domingo, 17 de março de 2013

Meu Karma começa agora.....

                                                  Estive para ali a sentir as baratas e os ratos a fazerem os seus ruídos                                                                 
      caraquecteristicos.Espereí que,ou a minha mãe ou a minha "avó"me 
       ouvissem a chorar,e me viessem abrir a porta.Mas não,ninguém veio.
       Eram 23,30,resolvi começar a subir a rua da Palma,depois a Almirante          
       Reis e chorava,chorava.porque eu achava que não merecia aquele                tratamento!
       Por fim cheguei à Fonte Luminosa,devia de ser 1,30 da manhã,e eu não   
       parava de chorar.Daí a pouco um rapaz dos seus trinta tal anos,sentou-se 
     minha beira,e perguntou-me se eu me sentia mal,como lhe dissesse que não
       perguntou-me porque chorava.Contei-lhe tudo,e ele pareceu-me que 
   Acompanhantes                        estava a prestar-me, atenção.Quando acabei o rapaz,perguntou-me se eu
                                                  tinha dinheiro,eu disse-lhe que não.Então ele começou por me dizer que 
                                                  conhecia uma Sra.que era muito sua amiga,e que ela era capaz de me 
deixar ficar em sua casa,em troca de alguns serviços domésticos.Apanhamos um táxi e seguimos para a Rua
Luciano Cordeiro.Chegados aí,abriram-nos a porta e eu fui empurrada para dentro de um quarto,e disse-me
que ia falar com a Sra.Achei tudo normal,mas senão quando,daí a pouco ele abriu a porta,e começou a despir-se,comecei logo a gritar,e aí apareceu a Sra.esbaforida,dizendo que não queria aquelas cenas em sua casa,e mandou o rapaz embora.
Depois dele sair a Sra.veio falar comigo.Perguntou-me de onde é que eu conhecia o rapaz,e eu contei-lhe como o havia conhecido.A Sra.a seguir perguntou-me que idade tinha eu,ao dizer-lhe que tinha 16 a mulher
ficou para morrer,e disse-me que não me podia ter ali em casa,sendo eu tão novinha.A sua casa era uma casa de prostituição,na qual já se encontrava a trabalhar a enteada e a namorada do rapaz que me havia trazido! Ela deixava-me ficar ali aquela noite,mas de manhã tinha que sair cedinho.Assim aconteceu,e no dia seguinte comecei a descer a Av. da Liberdade.e aí começou o meu Karma!                    

domingo, 10 de março de 2013

Começo de uma vida amarga

2º trabalho-Lavandaria
A primeira impressão que tive foi esconder-me ao fugir,mas,não pode.A minha mãe nada disse,a não ser pagarem a conta e seguirem comigo para Lisboa.
Aí fiquei a saber que o Fernando meu marido,também se havia deslocado a Coimbra para me procurar,viria falar comigo no dia seguinte.Nessa tarde ele veio e ajoelhado a meus pés,implorou-me que voltasse para ele,Não quis! Não voltaria a ter aquela vida miserável,nem a viver em casa de pessoas estranhas,(porque estávamos a viver num quarto em casa da madrinha do Fernando que vivia no mesmo andar do que a minha sogra).
Voltei a viver em casa da minha mãe,e esta através da mãe da minha madrinha de casamento,arranjou-me um emprego numa lavandaria chamada Cambournaque(fábrica).Aí conheci um rapaz que também aí trabalhava e que morava para os meus lados.
Como a minha mãe me dava dinheiro para o autocarro,todos os dias,resolvi por vezes,vir mais esse colega a
falar e a rir que era uma coisa que raramente fazia em casa,e guardava o dinheiro do autocarro.Em minha casa havia o uso de almoçarmos ao meio-dia,e jantávamos ás vinte em ponto.Houve um dia em que fomos ver os festejos de Sto.António em Alcântara,e quando cheguei a casa o meu padrasto,disse-me que não admitia p.... em casa se eu queria ser uma tinha de sair de casa! Esperei que ele saísse e a seguir saí eu.Ele ia todas as noites ao café,e por isso foi fácil.A minha mãe disse para a minha"avó" que já sabia que quando ele me chamou aquilo que me chamou,que eu sairia de casa.E assim aconteceu.Só que por volta das onze horas arrependi-me e fui sentar-me nas escadas da minha mãe.Esperei que a minha mãe me ouvisse,e viesse abrir-me a porta,mas não ninguém quis saber de mim.Não sei se foi imposição do meu padrasto,ou a minha mãe não me ouviu,nunca soube. 
                                       

                                                                                                                                     

sábado, 9 de março de 2013

Primeiro Encontro

Mira-praia-10-1960s.jpg
Praia de Mira    
Fomos para a praia,namorar,conversar,mas nunca houve sexo.
Quando entardeceu,o João Augusto,disse-me que tinha que ir para  casa,mas que eu ia ficar num quarto de pensão.Como aquela aldeia era na altura uma vila piscatória,os pescadores começaram a rondar-nos.Por isso mesmo,o João só se foi embora quando me pôs à porta do quarto,dois amigos.Um era o namorado da sua irmã, o outro,era o João Paulo,um moço que estava a estudar em Coimbra e que costumava ir passar férias para Mira e que avisou o João Augusto que só podia tomar aquela responsabilidade nessa noite,porque no dia
seguinte tinha de voltar para a cidade.
No dia seguinte quando saí do quarto,tinha à minha espera a professora,ou seja a mãe do João Augusto,que me perguntou:"O que é que a Sra.quer daqui"? Eu muito envergonhada não respondi nada.Ela então foi comprar um bilhete para eu seguir viagem para Coimbra,e disse-me que de lá os meus pais me iriam buscar.Não vi o João Augusto........o que me fez pensar que ele me havia abandonado à minha sorte.Hoje a esta distância posso ver que ele nada poderia ter feito,pois tinha apenas 16 anos!
Dentro do autocarro estava também de partida o João Paulo,tal como havia dito na noite anterior.Vim todo o caminho a chorar,e ele emprestou-me o seu lenço para limpar as lágrimas que não paravam de correr.Em Coimbra e antes de nos despedir-mos ele deu-me a sua morada no caso de ser necessário alguma coisa.Assim que ele voltou costas, como por encanto apareceram os meus "amigos",os estudantes que me perguntaram se já havia visitado a minha mãe?!Disse-lhes que sim e que ia voltar para Lisboa.Convidaram-me  para almoçar,e eu como estava cheia de fome,aceitei.Quando estava a meio do almoço,apareceu a minha mãe com a minha filha ao colo, e mais o meu padrasto.













 
































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quinta-feira, 7 de março de 2013

Viagem de boleia

as minhas boleias
"A minha mãe está doente em Mira" (que era o sítio onde o João,o filho da professora,morava),"o meu pai deu-me dinheiro para eu fazer esta viagem mas,eu perdio-o ,e como tenho medo que me bata,resolvi pedir boleia"!
Toda a gente acreditou,e eu cheguei a Coimbra já de noite.Como nada conhecia aí,comecei a deambular ao longo do Mondego,isto passa-se no ano de 1960.
Os estudantes assim que viram uma miúda a andar por ali,começaram a rondar-me com os carros,mas como eu não dava trela,a pouco e pouco foram-se embora.Somente um carro com quatro estudantes,não desistiram.Pararam e vieram ter comigo e perguntaram-me o que estava ali a fazer.É claro que lhes contei a mesma história Só aumentei o nome da firma da qual o escritório do meu padrasto estava agregado Disse-lhes que não tinha dinheiro para chegar a Mira,e por isso estava a fazer horas para pedir boleia.Os moços ofereceram-se para me pagarem o Hotel para ficar,e aí eu disse-lhes que não era o que eles pensavam,e que não iria para a cama com nenhum deles.Os moços responderam,que ninguém ali queria ir para a cama,mas sim ajudarem-me a chegar á minha mãe!
Fiquei no Hotel,e no dia seguinte,quando saí,qual não foi o meu espanto,estava um dos estudantes com um bilhete de camionete para Mira! Agradeci e continuei a minha viagem.Por fim cheguei a Mira e pôs-me a andar num jardim que havia à beira da ria,sem nunca imaginar que estava a ser observada por um dos estudantes que me havia seguido no seu carro.
Passados alguns minutos,vi um moço aproximar-se de bicicleta,olhei melhor e vi que era o João Augusto.Quando este chegou mais perto,voltou-se surpreendido e perguntou-me,"Tu não és doida"? Ao qual eu respondi,"Não eu só vim para tu tomares conta de mim"!