terça-feira, 30 de julho de 2013

Mais dois Bébés

Os dois rebentos
 No ano em que estive a restabelecer da operação aconteceram duas coisas.
A primeira,foi a mulher do Zé ter ido embora para Portugal.A segunda foi ficar grávida.Não calculei isto nem quis dar o golpe do baú.Antes pelo contrário,até queria ter feito um desmanche,mas o Zé convenceu-me que seria bom para mim,pois como tinha perdido o Bar,enquanto estive no hospital,acho que,(agora ele queria agarrar-me fosse como fosse).Eu precisava alguém a quem amar,e um filho seria o ideal.Foi então que lhe disse que precisava de trazer as minhas filhas para o pé de mim.Ele disse logo que sim,e eu escrevi à minha mãe,pedindo-lhe que me mandasse as miúdas.A minha mãe respondeu-me que não era boa ideia pois a Teresa,(a minha filha mais velha),estava a tirar o último ano de secretariado e portanto,
não podia nem queria,dar-lhe cabo da sua vida.A segunda só agora  o pai,Fernando Ferreira,queria aperfilhar.Portanto,era necessário deixar passar e depois voltaria-mos a falar nisso.Achei que a minha mãe andava só a arranjar desculpas,pois como tinha casado com o meu padrasto e não tinham tido filhos,tinham ficado com as minhas filhas como se fossem deles.
A minha gravidez,foi um pouco acidentada,principalmente no final,pois o Zé(pequeno,pois resolvi dar-lhe o nome do pai),fez-me entrar na Maternidade dois dias antes do nascimento,mas a meio da tarde as dores deixaram de me incomodar,e os médicos mandaram-me para casa.Dois dias depois as águas rebentaram e tive de ir correndo para a Maternidade,mas o menino só nasceu às 14h.Não era muito grande o meu Bebé,apenas 3,350kg.era muito bonitinho.Entretanto apareceu um trabalho ao Zé(pai),em Nacala.E lá fomos nós.O médico tinha-me dito que enquanto estivesse a amamentar,não ficaria grávida.Por outro lado deu-me uns comprimidos vaginais,para colocar cada vez que tivesse relações.Estava absolutamente segura de que não engravidaria.Mas,ao quarto mês de ter tido o primeiro,fiquei novamente grávida.Fiquei paranóica,não sabia se estava contente ou aparvalhada.Não sei o que senti.Mas estava disposta a formar uma família.Já estávamos em Nacala,e um dia o meu Zézinho,teve febre altíssima e eu não conseguia baixá-la.Eram três da manhã,chovia torrencialmente,eu com uma barriga de seis meses,corri pela calçada de Nacala,direita à casa do médico pediatra,e ao entrar gritei-lhe "Por favor Dr.salve o meu filho"! E a partir dali eu soube que viveria apenas para eles,para os meus filhos de corpo e alma.  

domingo, 28 de julho de 2013

Operação cirúrgica

Operação 
 Estive três dias em coma,e um ano internada. Durante aquele ano,todos os dias dava comigo a pensar no João Paulo,fazia conjecturas quando ele me viria ver,quero convencer-me que ele ao saber,o faria.Mas não nunca veio.
O primeiro médico que me tratou estava completamente chanfrado,pois havia morto o seu filho,ao fazer marcha atrás com o carro.Mas eu acho se um artista,que passa por uma tragédia,tem que subir ao palco,e representar,
os médicos deviam de desempenhar a sua profissão com responsabilidade.
Mas pelos vistos,ele olhou para mim,e disse que eu ia ficar boa,apenas com dois pesos,que ele me pôs na perna.Todos os meses me tirava radiografias, mas o osso nada de consolidar.
Até que chegou o verão em Portugal,e o meu médico resolveu ir de férias à Metrópole,e disse-me que quando viesse me queria boa......
O hospital era regido por freiras,e rapidamente se espalhou a notícia de que eu não era casada com o homem,que me ia visitar quase todos os dias.Eu gostava de ser tratada por uma auxiliar,uma moça nova,que de cada vez que eu tocava à campainha,logo aparecia.Um dia a freira chefe veio ao meu quarto,e disse-me que eu não tinha direito a só querer aquela moça,e perguntou-me se eu era lésbica?!Eu respondi-lhe "eu não e a Sra.é?" De seguida,ela disse-me para eu a tratar por irmã! E voltei a responder-lhe,que eu era filha única não tinha irmãs! Claro que depois disto,só havia uma coisa a fazer......sair do hospital!
Chamei o Zé por telefone e exigi-lhe que me viesse buscar.Ele bem me perguntou se eu era doida,mas não adiantou.Fui para casa,e quando aí cheguei pedi-lhe que fosse buscar a tesoura da poda.Ele ficou maluco,e
perguntou-me para que era a tesoura,não lhe respondi,e ele não teve outro remédio senão trazer-ma. A freira,tinha para me castigar,mandado pôr-me gesso desde o estômago até ao pé.Peguei na tesoura e cortei o gesso de cima a baixo! Eu sabia que na Beira havia um médico que lhe chamavam o "Santo".Eu tinha tido pouca sorte,pois ele era   um dos dois ortopedistas no hospital.Só que no dia do meu desastre,ele não estava de serviço.Fiz com que o Zé lhe telefonasse,e marcasse uma consulta.No dia marcado tive que ir de maca.Mas o Dr.Jorge Moura,em três meses pôs-me boa e a andar.
Começo a pensar que o Zé é a pessoa certa.Decido que chega de sentir pena de mim própria,e mais animada,penso que me falta alguém que me abrace nestas alturas,oferecendo-me um porto de abrigo,que me liberte desta ilusão........

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Acidente

Acidente
 Estamos no ano de 1970.Houve grandes mudanças na minha vida.Mudei de
casa,pois fiquei com medo de morar numa casa de rés-de-chão,derivado aquilo que se passou,e passei para outra no 1º andar.Entretanto o Zé quis que eu saísse do Bar,e eu disse-lhe que só faria,se tivesse algo meu onde trabalhar.Ele alugou-me um Bar-Restaurante,onde iam todos os empregados da Macmaon (companhia de cervejas,mais os casalinhos que desejavam almoçar ou jantar,sem que ninguém os visse ou incomodasse,porque eu tinha bangalôs.Come-se frango à Cafreal,Caril de Galinha à Indiana,Tripas à moda do Porto,e tantos outros.Tive muito sucesso.Enquanto o Zé está de viagem,a casa enche-se.Quando ele chega (não sei como se sabe),só os bangalôs continuam a trabalhar bem?!
Um dia a minha amiga espanhola,telefona-me e diz-me que tem novidades para me contar.Fui vê-la e o que ela me disse,foi que o João Paulo,se havia casado! Foi um choque para mim.A espanhola pediu-nos que a levasse-mos a Vila Pery,pois tinha ficado sem carro.Como eu depois de uma notícia daquelas ,não podia nem queria ter nada com o Zé resolvi levá-la.Nessa noite como eu previa,pernoitamos na sua casa.No dia seguinte o Zé recebeu um telefonema,onde lhe disseram que ele tinha de regressar à Beira,pois tinha um carregamento para fazer.O Zé não sabia andar devagar.mas naquele dia tinha resolvido que faria 120Km em 1/2h .Eu só vi que os nós dos seus dedos ficarem brancos de apertarem o volante,(eu não dei por nada),só que o carro que se dizia que não capotava,capotou seis vezes!Pensei que não sobreviveria,pensei que iria morrer,ele bem carregou no travão mas,não lhe serviu de nada.Primeiro saiu o tejadilho,depois fui eu,que fui projectada,e fiquei para lá dum ibundeiro.O carro entretanto deu seis voltas e parou do outro lado da árvore,onde eu estava estatelada.Ele petrificado sai de cima do chasi e as quatro rodas,que foi a única coisa que restou do carro.Ele chama por mim mas,eu continuou de olhos fechados,com o medo,não respondo.Por
fim ele encontra-me,alguém já chamou uma ambulância.Todo o caminho ele só me pede para eu abrir os olhos,mas eu com o medo não o faço até chegarmos ao Hospital da Beira.Eu só consigo pensar que há dias que mudam uma vida.

sábado, 20 de julho de 2013

Ataque

Catana
 Ao longe uma trovoada abafa o rumor da cidade,anunciando uma tempestade iminente.Começa a chover,um aguaceiro tremendo,em minutos a água cobre a rua,como só chove em África.Entretanto o Zé aparece no seu
"Citroen boca de sapo",e mete-mo-nos no meu quarto.O desinteresse espalha-se por mim como uma  infecção generalizada,mas tenho que continuar fingindo....Ele não gosta muito de vir ter comigo,aos quartos da companhia,e hoje particularmente,foi demasiado aborrecido.Quando já tínhamos acabado ouço baterem à porta,e peço-lhe para ele ir abrir,pois já está vestido,e eu ainda em robe.Qual não é o meu espanto,dá de caras com a mulher,que lhe faz um escândalo,eu nem sequer apareço,ele leva-a para casa.Só mais tarde venho a saber,que ela lhe disse que se não acabasse comigo,ela iria embora para Lisboa.Não sei que raio de vida é a deles,pois têm dois filhos um
rapaz e uma rapariga,que ficaram com a avó em Portugal.
Antes do bar abrir,ele veio ter comigo,e disse-me para eu arranjar uma casa onde viver,pois ali ele não podia vir mais por causa do que tinha acontecido.No dia seguinte sei de uma casa com dois quartos e uma sala,com quintal,que está para alugar.Fomos ver,e fiquei logo com ela,porque também era perto do meu serviço.Uma noite,ele ficou comigo até às duas horas da manhã,depois foi embora em viagem,eu fico deitada com a ventoinha ligada e toda nua.Por volta das quatro,entra pela janela da minha sala,um natural da terra,que me deitou abaixo uma galeria mais um quadro.Mas eu não oiço nada porque estava no meu primeiro sono.Quando acordo vejo de pé junto a um lado da minha cama,o homem nu da cintura para baixo
com uma catana na mão,e que me dizia"Sra. grita eu espeta faca".Eu rebolo para o outro lado da cama,e começa uma dança de rato e gato.Entre a cama,e a parede haviam somente 20cm,e portanto o homem para passar por lá teria de fazer uma ginástica terrível,e foi baseada nisso que eu me esgueirei numa altura em que ele tentou apanhar-me por essa nesga,eu salto por cima da cama,em frente era a porta da cozinha,que tinha uma porta directa para a rua.Fecho a porta e aí é que foi gritar! Algumas vizinhas acudiram-me,e a primeira
 só teve tempo de dizer ao marido,para ir buscar um lençol para me embrulhar.No dia seguinte quando o
Zé soube,foi à Judiciária apresentar queixa,e o agente,disse-lhe que se o homem voltasse a aparecer que o fossemos levar lá! O Zé então respondeu-lhe,"muito obrigado,mas se ele voltar a aparecer os Srs.terão que o ir buscar mas,de carrinha funerária"!
Mas é a segurança dele,que eu adoro e não quero nem posso perder.Eu sei que não o deixarei porque dependo dele para tudo e é assim que eu me sinto segura.

domingo, 14 de julho de 2013

ccc

                          Camionista                                                                                                 Para camuflar a saudade,o engano,a falta de amor,comecei a sair com dois amigos meus,um com setenta anos outro com setenta e cinco.Pedia-lhes para eles me levarem a um bar,propriedade de uma espanhola,minha amiga e que sabia também da história. O João Paulo ia quase todos os dias ao cair da tarde.Ele quando me via não ficava muito tempo,mas a mim dava-me para matar saudades. A pouco e pouco,o José Araújo,(o camionista),começou a ganhar terreno no que dizia respeito conversações,companhia,mas ir com ele para um âmbito mais íntimo isso é que não. O Zé e eu ía-mos a Nacála,a
Camionista             
Quelimane,Téte,mas ele ficava num quarto e eu noutro.Ele gostava que eu fosse nas viagens,porque eu cantava,contava anedotas.ria contava-lhe partes da minha vida.Numa dessas viagens,ele contou-me que era
casado,e aí a nossa convivência esfriou um pouco.Eu não queria casar-me com ele,mas também não queria dar-lhe cabo da vida.Eu pensava que a vida tinha que seguir o seu caminho,e tentar esquecer o João Paulo.
Um dia soube que ele tinha ficado com uma posição de Director Tranzambézia Ralways em Inhaminga.E só para o ver durante cinco minutos,fiz uma viagem de 200Km! E viu.....e a seguir seguimos caminho,e foi nesse dia,que num acto de raiva e vingança,fui com o José Araújo para a cama.Porém,quando não há paixão,quando simplesmente não existe,o que pode provocar é incompreensível.A nossa cama só hospedou clamores mentirosos,eu simplesmente não me mexia sentia os movimentos dele dentro de mim,e como mulher observava tudo sem participar,achava-o até tremendamente ridículo.No final eu só dizia para mim que este não era o outro,são diferentes,o outro enganou-me,este não,posso confiar nele.Por isso,desta vez não vou confiar totalmente,não vou entregar a minha alma cegamente.  
            

    

quarta-feira, 10 de julho de 2013

ilusões

Ilusões
 A vida continuava a correr assim,ia trabalhar no bar,onde cantava,e ele alguns dias ia-me buscar.Tinha a certeza que se o deixasse  de vez,morreria um pouco mais cada dia.Certa vez,um colega veio dizer-me que ele havia saído da aviação.Nessa noite quando o bar fechou,fui direita a sua casa ,e como tinha a chave abri a porta.Lá dentro encontrei-o com uma rapariga qualquer na cama.Ele deve ter sentido que eu havia entrado,embora eu me tivesse sentado à entrada.
Não sei o que se passou,só sei que daí a pouco a moça saiu.Virei-me para ele e perguntei-lhe porque havia saído da aviação,ao que ele retorquiu que tinha sido por minha causa,andava a beber demais,e uma manhã depois de uma noite de bebedeira,foi chamado para um voo de reconhecimento,e ele como era navegador fez mal os cálculos,e meteu o avião na baía de Lourenço Marques! Foi deposto da aviação.
Senti-me culpada. Mas,nessa noite não fiquei com ele,e disse-lhe,"se ficasse contigo seria um fardo para ti,acho que precisas da tua liberdade e eu da minha"."Não respondeu ,eu estou preso a ti,preciso de ti como tu precisas de mim". Eu encolhi os ombros,e armando-me em forte disse-lhe"mas já não preciso",e virei-lhe as costas e saí.Fui para casa e chorei como uma doida,só queria morrer.Alguns dias depois vim a saber que se tinha empregado na propaganda médica.Tentei esquece-lo,mas como se pode esquecer uma doença crónica? Os dias passava-os bem mas as noites eram muito difíceis de passar.Numa dessas noites,alguém me disse que ele estava com uma rapariga dum cabaret.Apanhei um taxi e fui à procura dele aquele homem era meu! Encontrei o carro dele ao pé dum cabaret,onde as moças dormiam.O taxista ainda tentou parar-me (porque me conhecia),mas eu saí do carro e furei-lhe os quatro pneus!