| Os dois rebentos |
A primeira,foi a mulher do Zé ter ido embora para Portugal.A segunda foi ficar grávida.Não calculei isto nem quis dar o golpe do baú.Antes pelo contrário,até queria ter feito um desmanche,mas o Zé convenceu-me que seria bom para mim,pois como tinha perdido o Bar,enquanto estive no hospital,acho que,(agora ele queria agarrar-me fosse como fosse).Eu precisava alguém a quem amar,e um filho seria o ideal.Foi então que lhe disse que precisava de trazer as minhas filhas para o pé de mim.Ele disse logo que sim,e eu escrevi à minha mãe,pedindo-lhe que me mandasse as miúdas.A minha mãe respondeu-me que não era boa ideia pois a Teresa,(a minha filha mais velha),estava a tirar o último ano de secretariado e portanto,
não podia nem queria,dar-lhe cabo da sua vida.A segunda só agora o pai,Fernando Ferreira,queria aperfilhar.Portanto,era necessário deixar passar e depois voltaria-mos a falar nisso.Achei que a minha mãe andava só a arranjar desculpas,pois como tinha casado com o meu padrasto e não tinham tido filhos,tinham ficado com as minhas filhas como se fossem deles.
A minha gravidez,foi um pouco acidentada,principalmente no final,pois o Zé(pequeno,pois resolvi dar-lhe o nome do pai),fez-me entrar na Maternidade dois dias antes do nascimento,mas a meio da tarde as dores deixaram de me incomodar,e os médicos mandaram-me para casa.Dois dias depois as águas rebentaram e tive de ir correndo para a Maternidade,mas o menino só nasceu às 14h.Não era muito grande o meu Bebé,apenas 3,350kg.era muito bonitinho.Entretanto apareceu um trabalho ao Zé(pai),em Nacala.E lá fomos nós.O médico tinha-me dito que enquanto estivesse a amamentar,não ficaria grávida.Por outro lado deu-me uns comprimidos vaginais,para colocar cada vez que tivesse relações.Estava absolutamente segura de que não engravidaria.Mas,ao quarto mês de ter tido o primeiro,fiquei novamente grávida.Fiquei paranóica,não sabia se estava contente ou aparvalhada.Não sei o que senti.Mas estava disposta a formar uma família.Já estávamos em Nacala,e um dia o meu Zézinho,teve febre altíssima e eu não conseguia baixá-la.Eram três da manhã,chovia torrencialmente,eu com uma barriga de seis meses,corri pela calçada de Nacala,direita à casa do médico pediatra,e ao entrar gritei-lhe "Por favor Dr.salve o meu filho"! E a partir dali eu soube que viveria apenas para eles,para os meus filhos de corpo e alma.