domingo, 29 de setembro de 2013

Castigo

castigo
 O Zé (pai),recebeu a minha filha,de uma maneira como eu nunca esperei,
pois sendo ele um homem do campo,julguei que não lhe fosse ligar nenhuma,mas antes pelo contrário.Desde logo levou-a ás melhores lojas de
mobílias,e comprou-lhe uma mobília de quarto igual à nossa mas em branco.
Depois levou-a por Salisbury,para ela escolher vestidos,sapatos,malas,enfim
tudo o que ela quisesse,resultado quando chegaram a casa,eu vi que muitas
coisas que a minha filha havia comprado,eu não lhe teria concedido licença para o fazer.Ainda não contente com isso,levou-a ao melhor colégio particular,e inscreveu-a para ela começar a estudar.Perante isto quem poderia,não gostar dele?Devo dizer que embora o não amasse,nunca lhe fui infiel,e admirei-o sempre pela sua força,mas perante o que ele fez à minha filha ainda lhe fiquei mais agradecida.Os meus filhos esses,acho que foi a novidade de terem uma irmã em casa,que os levou a gostarem dela.Eu continuei a frequentar a Thecnical School,para tirar Inglês e aprofundar mais a contabilidade.Enquanto os miúdos estavam na escola e a Nany no colégio,eu preenchia os meus dias fazendo aquilo que eu mais gostava de fazer,estudar!De tarde levava os miúdos ao playgrond,onde eles se divertiam.Assim eram os meus dias,até que me vieram contar que a minha filha,todas as tardes era vista com um rapaz monhê,(indiano),dentro dum carro parado à minha porta,em posições indecorosas.Resolvi tirar tudo a limpo.E uma tarde fingi que ia para a escola,mandei a minha empregada mais cedo para casa,e escondida,fiquei à espera de ver aquilo que já muita gente havia visto.Não tive de esperar muito tempo,deviam de ser umas 2h da tarde,vi vir a minha filha dentro de um carro,efectivamente com o tal moço,pararam debaixo da nossa casa,e começaram aos beijos,e mais não sei o quê,pois não me era dado espiar como devia de ser.Só pararam quando se aperceberam que já era horas de eu chegar.  Entretanto,como a casa tinha entrada pela parte da frente e por traz,quando ela entrou em casa, eu já lá estava.Quando me viu,ficou sobressaltada,e ainda mais quando eu a mandei sentar-se na cama,e munida de uma tesoura lhe cortei o cabelo quase à escovinha! A minha filha tinha uns cabelos lindos por meio das costas,e eu ao fazer-lhe aquilo,esperava que ela ficasse feia,mas em vão,ela ficou ainda mais bonita.

Regresso

Regresso
 No dia seguinte o João Paulo telefonou-me a dizer que não tinha aparecido por causa de problemas de trabalho.Pediu desculpas e deu-me uma morada para poder entrar em comunicação,quando regressasse a África.Embora estivesse cheia de problemas,(por causa do Zézinho),porque eu achava que o tratamento que lhe estavam a fazer,deixava muito a desejar,ainda assim pode pensar que a desculpa dele,era isso mesmo apenas uma desculpa....ele
não devia de ter aparecido por causa da mulher....bem não interessa,já passou.No fim de semana seguinte a minha filha resolveu ir a um concerto,
em Cascais,e disse-me que ia na sexta-feira,mas que vinha de madrugada.Então eu pedi-lhe que senão viesse,que me telefonasse.Esperei por ela,fazendo crochet e vendo televisão.Eram quatro horas da manhã quando me fui deitar,sem a minha filha ter voltado.No dia seguinte a mesma coisa,no domingo ainda o mesmo.Na segunda-feira,a minha mãe,que ainda se encontrava lá,recebeu um telefonema da Nany.Depois de desligar,disse-me que a minha filha lhe tinha pedido que ela lhe pagasse o taxi,que tinha que apanhar em Sintra,porque ela,já não tinha dinheiro para chegar a Colares.Pedi então à minha mãe que não lhe dissesse que era eu que lhe ia pagar o taxi,e que ela não deveria de saber em situação nenhuma.Daí por meia-hora a minha mãe saiu e voltou acompanhada da minha filha,a qual,chegou ao pé de mim para me dar um beijo,eu afastei-a e perguntei-lhe,"Sabes que dia é hoje"?Ao que ela me respondeu,"Há já sei,tu estás assim porque me deste o dinheiro para eu pagar o taxi,mas,fica sossegada,porque eu vou ali para a estra."..
Não acabou de dizer o resto porque logo a seguir,apanhou uma tareia,como ela nunca tinha apanhado.A seguir peguei em todas as prendas que lhe havia trazido,e com uma tesoura mais um martelo,desfiz tudo ali mesmo.Senti uma revolta tão grande,dentro de mim....eu durante toda a minha vida,nunca faltei ao respeito à minha mãe,desejei sempre vir buscar as minhas filhas,e ser tratada assim....A minha mãe voltou-se para mim e disse-me,"Agora é que não vais conseguir levá-la para África"! Ao que eu respondi:"A mãe pode ter a certeza de que ela entra no avião nem que seja puxada pelos cabelos,mas vai"! E passado uma semana,lá nos metemos TODOS no avião com destino à Rhodesia.

domingo, 22 de setembro de 2013

Reencontro

Reencontro
 O pior penso,é a saudade.Já não o vejo Há quase oito anos,não falo com ele,e no entanto,não o esqueci!O pior de tudo é não haver uma forma de desligar,de o apagar da memória. O pior é parar a meio do dia a pensar no que ele deve de estar a fazer,e começo a forjar uma maneira de entrar em comunicação com ele.Escrevi-lhe uma carta,para a única morada que tinha dele,em Coimbra.Era a casa das avós,possivelmente ele deveria de as visitar....mandei o numero de telefone onde eu estava,e foi até hoje a espera mais dolorosa que passsei .Entretanto,comecei a tratar dos papeis para trazer a minha filha Ana."Eu sei que não devia de ter-te deixado,mas na altura,não tinha os pés bem assentes na terra e,por isso,fiz outras opções,e afastei-me de ti.A certa altura,recordo-me bem,tinha a certeza de que iríamos ficar juntos e que seriamos felizes,mas no final também me cansei de lutar sozinha pelos dois." Isto foram algumas das palavras que escrevi na carta para ele.....
De noite eu mantinha um sono ligeiro,destapado,agitado,desconfortável.Quando um dia o telefone tocou,eu senti.......que era ele.Pouco falamos,só marcamos encontrar-nos daí a dois dias no Porto,onde ele se encontrava a trabalhar. Contei tudo há minha filha,e disse-lhe que ela me encobrisse e fosse comigo ao Porto.Ela compreendeu.Telefonou à avó e pediu-lhe que viesse até Colares,pois ela e eu precisávamos fazer
fazer uma viagem de dois dias,e se ela podia tomar conta dos miúdos.Ela acedeu de má vontade mas,veio.
Na sexta-feira seguinte lá fomos até ao Porto,encontrá-mo-nos na estação de comboios.Eu queria ter-lhe dado um beijo,mas por causa da minha filha,mantive as aparências.Sempre que pensava nele,durante todos estes anos,não o via necessariamente como ele era,mas como me lembrava dele e,de modo algum,como ele é hoje,pois não o via há mais de dez anos.A vida não é aquilo que vivemos,senão o que recordamos e como recordamos para contar.Conversamos,jantamos e depois foi pôr-nos ao Hotel com a promessa de que viria ver-nos no dia seguinte.Porém,no dia seguinte,não lhe foi possivel aparecer,pois teve que se deslocar a serviço.Tomamos o comboio de volta para Lisboa.Quando cheguei ao Cacém,a minha mãe comunicou-me  que o Zézinho tinha sido atropelado por um carro e que o avô,tinha ido com ele ao hospital.Fiquei arrependida de não ter ficado a desempenhar o meu papel de mãe,em vez de me agarrar a uma lembrança tão triste.Seria castigo?

1ªVinda a Lisboa

Minha Lisboa 
 Ao fim de ano e meio,lá regressamos a Salisbury.E foi aí que resolvemos que eu iria a Lisboa apresentar os meus filhos aos meus pais,e ao mesmo tempo ir buscar as minhas filhas,ou aquela que quisesse vir.Ao fim de um mês,tinha por fim todas as condições resolvidas para poder viajar.Numa
manhã de verão,meti-me no avião com o pequenito ao colo,e os dois diabinhos.Não sei se alguém sabe o que representa fazer uma viagem de 10h
com três miúdos pequenos.....é realmente uma tragédia,mas lá fomos.As hospedeiras,viram-se malucas,connosco.Tiveram que fazer uma visita guiada
para os meus dois mais velhos,senão ninguém parava quieto.Por fim lá chegamos a Lisboa!
No Aeroporto,estava a minha mãe,o meu padrasto,a minha filha mais nova,pois a mais velha como era fun-
cionária
publica não tinha podido vir.A recepção da minha mãe,não podia ter sido pior,voltou-se para mim,e per-
guntou-me,"o que é que vies-te cá fazer?"A minha vontade,se não fosse o que eu tinha em mente ,acho que teria sido meter-me no próximo avião e sair dali para fora.A minha mãe sempre foi muito "calorosa"para comigo.O meu padrasto,deu-me um beijo e perguntou-me se eu havia feito boa viagem.Quanto à minha Ana,agarrou-se a mim a chorar.Metemo-nos no carro do meu padrasto,e fomos levados para Colares,para a casa de campo.Naquela altura,não pensei no porquê de me porem ali,mas hoje a esta distância,estou em crer que a minha mãe o fez,para tornar a minha vida dificílima,no sentido de eu não poder encontrar-me com o João Paulo.Fiquei,a minha filha quis ficar comigo também.Achei-me no céu.Tinha os meus filhos,e a minha filha ao pé de mim,que mais podia eu desejar?Eu tinha levado umas lembranças para as miúdas tais como,relógios,pulseiras,capulanas,enfim,tudo aquilo que eu esperava que elas pudessem gostar.Dei logo as primeiras prendas à Ana,e fiquei há espera que a minha filha Teresa viesse no fim-de-semana,ver-me para lhe entregar as dela.E foi assim que eu vi pela primeira vez a minha mais velha.Falamos
expliquei de só agora ter vindo.Disse-lhes que vivia bastante bem em África,mas que não dava para esbanjar.Achei a minha filha Teresa muito retraída,e a Ana mais aconchegante e terna.Só mais tarde vi a minha mais velha aos beijos com um rapaz de lá da terra,(Colares),com quem mais tarde veio a casar.E eu pensei para com os meus botões que ela já não tinha carícias para mim,pois já tinha a quem as dar.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Trabalhar na Mina

Entrada da Mina
 Passei todo esse tempo que estivemos na mina,a aprender coisas que talvez
nunca mais venha a fazer na vida.Deram-nos uma casa circundada de terreno onde o Zé pai gostava de fazer a sua horta.Semeou feijão verde,batatas,cebolas,e dentro da piscina abandonada plantou agrião! Nunca vi folhas de agrião tão grandes como as nossas.As cebolas também eram enormes,e duraram todo o ano.
Eu aprendi sem querer, a plantar tomates.Um dia lavei os tomates e deitei fora a água para o terreno na saída da cozinha.Passados alguns dias,comecei
a ver germinar umas folhinhas,não liguei,mas também não arranquei,e passados algum tempo surgiram os tomates!
Passei esse ano,levando os meus filhos à escola,no carro sem carta,mas se eu não o fizesse os miúdos não poderiam frequentar a escola pois o pai não os podia levar.Levava-os também à piscina,e qualquer um deles começou a nadar antes mesmo de saberem andar.Aos fins-de-semana, fazíamos picnikes,com churrasco e playground.Os meus compadres vinham ver-nos de vez em quando.No dia de anos é que eu conseguia reunir toda a gente.Não vinham mais vezes,e eu até os compreendia,pois fazer 80km para cima e para baixo,só para ir a um churrasco,era demais.Quando se fazia a festa dos anos é que era bonito,com muitas prendas,bolo e tudo o que eles tinham direito.
Eu acho que o Zé(pequeno),é muito malandro,e cómico.O P.Jorge é o mais inteligente mas,calado.Quanto ao j.Carlos ainda não dá para ver.Esperemos que toda a minha gente consiga singrar na vida,é o que eu peço a Deus.Não se admite que eu esteja a fazer todo este sacrifício,e que eles não venham a ser aquelas
criaturas que eu gostaria que fossem,felizes e com sucesso na vida.Que Deus permita!  

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Baptizados

Três Baptizados 
Porque é que as mulheres engravidam sem amor?
Porque é que Deus permite tal coisa?
Será para que os nossos filhos nos ajudem a superar este infortúnio?
Há noites que duram mais,horas lentas que nunca mais passam.As estrelas brilham lá fora,mas no meio peito há sonhos e desejos inconcretizáveis.....
Fecho os olhos e viajo para Mundos únicos.....a minha noite é feita de ausências,
tristezas e lágrimas,saudades de um amor,que já me fez sonhar,e que agora está longe,muito longe......
Hoje tenho este que me corroi por dentro,e os meus filhos.E por eles levarei a cruz ao calvário! Mas,penso que embora a lua e as estrelas brilhem lá fora,eu sinto que nunca poderei ser feliz,até ao dia em que lhe possa dizer....."O verdadeiro amor nunca morre".Mas,quando,
quando é que isso será,meu Deus?
Resolvemos baptizar os miúdos,tenho pelo menos três casais fantásticos,um é a D.Emília e o Sr. José o seu marido,que foram os padrinhos do Zézinho,(o mais velho).A D. Maria Santos e o marido o Rui,foram os padrinhos do mais novo,o Carlos.A D.Lourdes e o Sr.João foram os padrinhos do Jorge,(o do meio).Foi uma festa muito bonita.Mas nessa noite,soube que iria haver uma nova mudança nas nossas vidas.O Zé resolveu ir trabalhar para uma mina em Arthurus,que é uma povoação que fica a 80km de Salisbury.Vamos nos mudar no fim do mês.Teremos direito a uma casa com três assoalhadas.O sítio não é feio mas,ficarei longe de todas as minhas amigas,e já não poderei trabalhar.
E foi aí que comecei a sentir mudanças no Zé (pai).Começou a tratar os miúdos,com tareia! As vezes por coisas pequenas.....os meus filhos não gostavam de sopa de nabos,como não queriam comer,apanhavam!
O meu Zézinho tinha um problema,obrava nas cuecas.Não conseguia chegar á casa de banho a tempo....o pai em vez de o ensinar,pegava no cinto e batia-lhe!!! Foi um inferno o ano e meio que estivemos lá.Um dia com os nervos peguei no carro,para levar os miúdos à escola,e como estava cheia de pressa,cheguei a um sítio onde estava um carro parado,e do outro havia uma parede,carreguei no acelarador e risquei o carro de uma ponta à outra! Há noite encostei o carro na garagem junto à parede mas,o Zé (pai),já sabia,mas fez de conta,e disse-me que ía tirar o carro da garagem,mas eu sempre arranjava algo para ele não o fazer.Quando por fim tirou o carro,tivemos três dias sem nos falar-mos.