domingo, 22 de setembro de 2013

Reencontro

Reencontro
 O pior penso,é a saudade.Já não o vejo Há quase oito anos,não falo com ele,e no entanto,não o esqueci!O pior de tudo é não haver uma forma de desligar,de o apagar da memória. O pior é parar a meio do dia a pensar no que ele deve de estar a fazer,e começo a forjar uma maneira de entrar em comunicação com ele.Escrevi-lhe uma carta,para a única morada que tinha dele,em Coimbra.Era a casa das avós,possivelmente ele deveria de as visitar....mandei o numero de telefone onde eu estava,e foi até hoje a espera mais dolorosa que passsei .Entretanto,comecei a tratar dos papeis para trazer a minha filha Ana."Eu sei que não devia de ter-te deixado,mas na altura,não tinha os pés bem assentes na terra e,por isso,fiz outras opções,e afastei-me de ti.A certa altura,recordo-me bem,tinha a certeza de que iríamos ficar juntos e que seriamos felizes,mas no final também me cansei de lutar sozinha pelos dois." Isto foram algumas das palavras que escrevi na carta para ele.....
De noite eu mantinha um sono ligeiro,destapado,agitado,desconfortável.Quando um dia o telefone tocou,eu senti.......que era ele.Pouco falamos,só marcamos encontrar-nos daí a dois dias no Porto,onde ele se encontrava a trabalhar. Contei tudo há minha filha,e disse-lhe que ela me encobrisse e fosse comigo ao Porto.Ela compreendeu.Telefonou à avó e pediu-lhe que viesse até Colares,pois ela e eu precisávamos fazer
fazer uma viagem de dois dias,e se ela podia tomar conta dos miúdos.Ela acedeu de má vontade mas,veio.
Na sexta-feira seguinte lá fomos até ao Porto,encontrá-mo-nos na estação de comboios.Eu queria ter-lhe dado um beijo,mas por causa da minha filha,mantive as aparências.Sempre que pensava nele,durante todos estes anos,não o via necessariamente como ele era,mas como me lembrava dele e,de modo algum,como ele é hoje,pois não o via há mais de dez anos.A vida não é aquilo que vivemos,senão o que recordamos e como recordamos para contar.Conversamos,jantamos e depois foi pôr-nos ao Hotel com a promessa de que viria ver-nos no dia seguinte.Porém,no dia seguinte,não lhe foi possivel aparecer,pois teve que se deslocar a serviço.Tomamos o comboio de volta para Lisboa.Quando cheguei ao Cacém,a minha mãe comunicou-me  que o Zézinho tinha sido atropelado por um carro e que o avô,tinha ido com ele ao hospital.Fiquei arrependida de não ter ficado a desempenhar o meu papel de mãe,em vez de me agarrar a uma lembrança tão triste.Seria castigo?

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