| Reencontro |
De noite eu mantinha um sono ligeiro,destapado,agitado,desconfortável.Quando um dia o telefone tocou,eu senti.......que era ele.Pouco falamos,só marcamos encontrar-nos daí a dois dias no Porto,onde ele se encontrava a trabalhar. Contei tudo há minha filha,e disse-lhe que ela me encobrisse e fosse comigo ao Porto.Ela compreendeu.Telefonou à avó e pediu-lhe que viesse até Colares,pois ela e eu precisávamos fazer
fazer uma viagem de dois dias,e se ela podia tomar conta dos miúdos.Ela acedeu de má vontade mas,veio.
Na sexta-feira seguinte lá fomos até ao Porto,encontrá-mo-nos na estação de comboios.Eu queria ter-lhe dado um beijo,mas por causa da minha filha,mantive as aparências.Sempre que pensava nele,durante todos estes anos,não o via necessariamente como ele era,mas como me lembrava dele e,de modo algum,como ele é hoje,pois não o via há mais de dez anos.A vida não é aquilo que vivemos,senão o que recordamos e como recordamos para contar.Conversamos,jantamos e depois foi pôr-nos ao Hotel com a promessa de que viria ver-nos no dia seguinte.Porém,no dia seguinte,não lhe foi possivel aparecer,pois teve que se deslocar a serviço.Tomamos o comboio de volta para Lisboa.Quando cheguei ao Cacém,a minha mãe comunicou-me que o Zézinho tinha sido atropelado por um carro e que o avô,tinha ido com ele ao hospital.Fiquei arrependida de não ter ficado a desempenhar o meu papel de mãe,em vez de me agarrar a uma lembrança tão triste.Seria castigo?
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