sábado, 30 de novembro de 2013

Reencontro

Poemas, Reflexões, Pensamentos & Mensagens de Amor e Paz... - UOL Blog
Reencontro
 Lembro-me..........que mal o via,as pernas pareciam emperrar e as
palavra enrolavam na garganta............
Mas o destino,por vezes,surpreende-nos!
Ele seguiu para Leiria,mas combinou comigo vir ver-me daí por uma semana.Andei o resto dos dias com um sorriso estúpido nos lábios.
cabeça meio aérea.Telefonei-lhe na sexta à noite e marcámos um passeio para sábado.Passei a noite toda a pensar no cenário ideal para esse nosso passeio.Dormi pouco.Mas isso não importa.O certo é
que ás 10h já estava na estação dos comboios à espera dele.Ele chegou e nós partimos em direcção a Sintra.Parámos na vila e tomá-
mos o pequeno almoço.E a minha intenção era levá-lo à serra,ou talvez ao Parque da Pena ou aos Capuchos.Mas no meio da conversa,eu disse-lhe que gostaria de ir ver o mar.Era Inverno,mas estava um
lindo dia de sol. Fizemos o trajecto da estrada de Monserrate,devagar a saborear a paisagem  na companhia do meu amado.Contudo,ia-me na cabeça um turbilhão de receios,ânsias,de indecisões....
E se ele se aborrecesse comigo quando lhe dissesse que queria ir conhecer a sua casa de Leiria? Quando
passamos por Colares,já eu estava mais ou menos decidida a arriscar.O primeiro ponto de paragem foi  no
Miradouro das Azenhas do Mar,e nunca aquele casario,empoleirado nas arribas,me pareceram tão belo!
Soprava um ventinho do Norte e ele chegou-se para mim.Poderia ser aquele o momento certo,mas...hesitei! Levei-o então à Praia Grande,com o protesto de ver as pegadas do dinossauro.O mar bravo como o meu coração,o azul do céu e a maré baixa,tudo se conjugava.Passeámos pela praia quase colados um ao outro.Corremos e brincamos como duas crianças.E de repente,embalados pelo marulhar das ondas e o piar das gaivotas,caímos na areia abraçados rindo sem sabermos porquê.Olhei-o nos olhos,ele parou de rir.E sem preferirmos qualquer palavra,beijamo-nos apaixonadamente.Afinal todos os meus receios não faziam sentido!Todas as frases que arranjei não foram necessárias.Foi assim tão simples e belo,o nosso reencontro.Passamos o resto do dia a confessar a paixão que sentia-mos um pelo outro.Também ele continuava a amar-me como outrora.Almoçamos ali mesmo,num restaurante com vista para o mar.Depois fomos à Adraga,subimos ao Fojo.E no alto da Pedra de Alvidrar,ficámos de mãos dadas a ver o pôr-do-sol,a projectar futuros,a visitarmo-nos por dentro....

Novo começo

 
Amor voltei.......
 O João Paulo antes de eu chegar a Portugal,separou-se da mulher.Tinha
duas filhas que viviam com a avó.Eles viviam em Leiria,onde a mulher
depois de o trair,fugiu para a Alemanha. Não foi pois por minha causa que eles se separaram.
Encontrámo-nos no passeio entre as pessoas,abraçámo-nos,beijámo-nos,e eu repito o que sempre disse:"Já não consigo voltar para trás,nunca
mais ".Ele puxa-me para si com força e diz-me ao ouvido:""Nem eu,nem eu".Eu então digo-lhe:"Não consegui ficar longe de ti".....Saí de casa esta manhã para trabalhar sabendo que este dia ia ser muito penoso,sem conseguir concentrar-me.Mas ao chegar à rua,quando as pessoas à minha frente se dispersaram,vi-te parado no mesmo lugar onde costumavas esperar-me........"Não consegui ficar longe de ti,digo eu".Ele não diz nada,descobrindo o que é difícil esquecer."Ainda me queres?"pergunto-lhe aflita."Perdoas-me?""Não te vais arrepender outra vez?""Nunca"! "Vem cá,diz-me ele abraçando-me.E eu agarro-me a ele,enquanto
murmuro "nunca,nunca,nunca........" E ali estamos os dois,sentados frente a frente,separados pela distância cautelosa de uma mesa de permeio.Começamos a falar com a alegria de sempre,abandonando a cautela,
sem dar-mos pelo tempo que pára,uma,duas horas seguidas,evitando tocar no que nos separou.Divertimo-nos entendemo-nos com facilidade,só sabemos que somos feitos um para o outro,que somos inevitáveis,
enfim, que os percursos das nossas vidas haveriam de nos cruzar novamente.Mas nesse tempo todo andamos distraídos,a sonhar outra vida onde cabe a paixão transcendente,a felicidade que já conhecera-mos
ou que,se tiveram alguma,se desfez insensivelmente nos anos.Despedimo-nos na rua.Ele ajeita-me o cabelo
com a ponta dos dedos."Estás igual,diz"."Quem me dera,digo-lhe eu a rir".Ele abraça-me e,num impulso,
beijamo-nos com uma ternura,uma saudade,que nem suspeitávamos . "Sabes,digo eu,embora não tivesse consciência disso,estive sempre à tua espera"!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Não,sim,quer dizer.......

Indecisão
 Um dia o meu patrão não veio trabalhar,ficando em casa doente.Apesar de sentir o meu coração quase a estoirar,resolvi telefonar-lhe,e enquanto esperava
que a telefonista fizesse a ligação,com o fôlego suspenso numa emoção,com a
alma elevada prestes a rebentar o coração,ouvi aquela voz querida que eu era
capaz de reconhecer à légua.......
Está? Quem fala? "ele confuso"
E eu pergunto"é o Sr.João Paulo que fala?"
"Sim sou eu.E a Sra.quem é?"
Vamos ver;respondo eu,vou dar-lhe algumas dicas,e espero que me reconheça.
"Em tempos chamavas-me Kicas"......
Não foi preciso mais nada....."Estava mesmo a pensar em ti,"diz ele,sem se preocupar em fingir que não quer saber de mim."O quê?"pergunto eu.
"A pensar se voltarias um dia......" "Nunca me fui embora,respondo eu,na minha cabeça estive sempre aqui!
"Ontem li no jornal,o que se está a passar na África do Sul,e estava com medo que te acontecesse algo....."
"Preciso de ti, do teu amor,hoje mais do que nunca."Acho que ele estranhou a minha declaração,pois já não
nos víamos há muito tempo.Ele emudeceu baralhado.....eu insisto.
"Não me queres?"
"Claro que quero,sabes bem que sim."
"Então porque desistis-te tão facilmente?"
"E tu porque desistis-te?"Eu não desisti,explico,só queria ter a certeza que me amavas"...."Mas eu amava-te,
eu amo-te,tu sabes.""Mas preciso que me digas todos os dias,queria que não te importasses com o que te
dizia e que lutasses por mim.""Rejeitaste-me só para eu lutar por ti,diz ele,(é mais o reflexo da sua incredulidade do que uma pergunta)"."Era um teste,digo eu,para reforçar a nossa relação.""E chumbei no teste?""Claro que chumbaste!" Disseste que não,mas querias dizer que sim....""Não,quer dizer sim,disse-te
que não mas dei-te a entender que sim". Ele abana a cabeça, desconcertado,"gostava de perceber o que vai na tua cabeça......"Não tentes,aviso-o eu,porque ás vezes nem eu sei....."Combinamos então encontrar-nos no fim-de-semana.......
   

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Princípio de vida em Portugal

Curso de informática 
Estávamos a almoçar em casa da minha amiga,quando chegou o filho dela
A frase que lhe saiu foi,"Então primeiro eram dois,agora já são quatro a
comer à borla?"Não fizemos nenhum sinal entre nós mas,foi instantâneo
levantámo-nos todos ao mesmo tempo,e já não comemos mais nada.A
minha amiga pediu-nos desculpa,mas já não houve nada a fazer.Eu nesse
mesmo dia com o dinheiro que havia trazido,mais algum dos meus filhos
fomos arrendar uma casa,na mesma rua da minha amiga e mudámo-nos.
Dormimos no chão,mas começámos nova vida.
A princípio tudo me parecia impossível,mas depois de algum tempo,esta garra que nunca me abandona,
voltou novamente.Peguei no Jornal e procurei emprego.Nos primeiros dias foi difícil.Depois tive uma conversa com os meus filhos e resolvemos que iríamos pôr dentro de nossa casa,um hóspede.A minha
amiga Antónia,talvez para se redimir daquilo que o filho nos havia dito,arranjou-me um rapaz para o quarto
o qual,era partilhado com o meu filho PJorge.Na sala,ficaram o Zé e o JCarlos.Fui tirar um curso de informática,que naquele tempo ainda era Msdos,ao mesmo tempo arranjei um emprego em Moscavide.
Daí a dias a MªAntónia,voltou a arranjar-me emprego para os meus dois mais velhos numa fábrica de roupeiros.Por fim estávamos todos empregados! Mas a minha vida era uma correria.Começava ás 6,30h
da manhã,a fazer marmitas para eles levarem, dar o pequeno almoço ao mais novo,e a deixar-lhe o lanche para a tarde,e jantar para todos.Ás 7,45h apanhava o comboio para Lisboa,e aí o autocarro para Moscavide,onde tomava o 1ºcafé.Quase sempre o meu patrão só chegava por volta das 14h.Tinha portanto
toda a manhã para trabalhar procurando novos clientes fazendo contactos.Há tarde saía por volta das 19h.e
ás 20h.tinha aulas até ás 22h.Vinha a pé pela a Av. da Liberdade,e apanhava o comboio para o Cacém por
volta das 22,30h.chegando a casa ás 23,15h..E lá começava tudo outra vez.....
Foi nessa altura também que fomos a Condeixa buscar as nossas coisas.Quando abri a porta da garagem,
quase desmaiei pois as melhores coisas tinham desaparecido,assim como o carro!O desgraçado do Zé(grande),não contente por nos ter abandonado,ainda se sentiu no direito de escolher e levar tudo aquilo que quis! Um dia telefonou-me do Canadá,mas recusei falar-lhe.O que disse aos meus filhos foi:"Não vos posso impedir de falarem com o vosso pai,mas comigo ele não falará nunca mais!".

















 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Abandono

Agualva - Cacém
 No Algarve conseguimos emprego para os quatro no
Camping de Albufeira.Nós os dois tomamos conta da parte do takeaway e os meus filhos na Boite,um como empregado de mesa e o outro como Barmen.E assim nos mantivemos,mas entretanto,os meus filhos apareceram com hepatite B,e eu já não sabia o que devia de fazer,
pois tinham que fazer dieta,o que era muito complicado naquele local.Falei com a minha mãe,por telefone e ficou combinado que o PJorge viria para Lisboa,
e que eu ficaria com o Zé,para o tratar.Assim ao fim de vinte longos dias,lá consegui ter os meus rapazes,
juntos e curados.Mas, o PJorge ao voltar levou com ele o JCarlos,(o meu caçula),pois como a escola tinha acabado,a minha mãe dizia que não o podia aturar!
A estação de Verão estava a terminar,e eu resolvi,ficar com o miúdo mais uma semana no Algarve,e depois
vim com ele para Lisboa,deixando os dois mais velhos com o pai,para fazerem os preparativos do encerramento do Camping.Levava comigo o ordenado do mês,e mais algumas grojetas.As nossas mobílias e
tudo o resto,tinham ficado na garagem da casa onde havíamos morado em Condeixa.Felizmente que eu fiquei com uma chave.....Fui para casa de minha mãe,e no dia seguinte,fui visitar uma amiga que vivia no Cacém.Não me demorei a não ser algumas horas da parte da tarde,mas quando cheguei a casa ,ela disse-me que tinha que pôr o meu filho na rua,porque não o podia aturar.E queria-o pôr na rua ás
24h!E aí eu opôs-me porque,não se põe uma criança de 11 anos na rua àquela hora!
Ás seis e meia do dia seguinte,peguei no meu filho e nas malas,e tomei o caminho da casa da minha amiga
Antónia que morava no Cacém.Fui muito bem recebida por ela que pôs logo a sua casa ao nosso dispor.
Estivemos aí uma semana com o meu mais novo.A minha amiga tinha um filho de 19 anos que andava metido na droga,embora eu naquela altura o não soubesse.Na semana seguinte recebi uma chamada dos meus filhos mais velhos,dizendo que o pai os havia deixado sozinhos,dizendo que ia ver a mãe que estava muito mal.Entretanto eles souberam que o pai havia saído do Camping com uma miúda de 18 anos!
Não senti absolutamente nada a não ser uma grande sensação de descanso.Ele tinha-se ido embora por fim,
foi pena não ter ido há mais tempo!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Mais uma mudança

Algarve
Os meus filhos todos os dias viam sair coisas de casa.O pai não fazia um
esforço para arranjar trabalho.Os miúdos resolveram ir para as obras.O
meu coração sangrava quando à noite via as suas mãos calejadas e feridas.....pensava,que nunca me devia de ter metido naquele avião para Portugal. Um dia,depois de muita discussão resolvemos ir ao Algarve,à
procura de trabalho,estávamos no princípio do Verão.O Zé ainda tentou
que fossemos para França,e que "abandonássemos"os meus filhos com a
minha mãe,mas eu que já havia perdido as minhas filhas,não estive de acordo,e resolvemos ir tentar a nossa sorte os quatro O JCarlos como
andava na escola,resolveu-se,que ficava com a minha mãe.Um dia,comecei a fazer os preparativo para seguirmos para o Algarve,quando uma pasta do Zé caiu no chão,e eu vi umas cartas que por virem assinadas por "Vanda",me despertaram a curiosidade.Comecei a ler uma que dizia assim:"Zé venho dizer-te
que não contes mais comigo para ir ter contigo a Portugal.Também te quero pedir para que não me telefones mais,visto que o meu marido no outro dia me apanhou a falar contigo,e deu-me uma sova que quase me ia matando.Esquece o que houve entre nós pois por meu lado eu já esqueci! Vanda".
Não posso dizer que senti raiva,para o sentir eu tinha que o ter amado,eu não o amei mas,sempre lhe fui fiel,e admirava-o.Agora é que eu percebia como ele sabia das coisas que passavam e que estupidamente
contava à sua amante.Afinal tudo aquilo que o meu filho mais novo dizia que ouvia era verdade...os beijos.os gemidos....Quando ele chegou a casa confrontei-o com o que eu havia descoberto.E disse-lhe:
"Não vale a pena falarmos,para quê,quanto mais falarmos mais a gente se magoa um ao outro,fomos nos
distanciando tanto com o tempo,sinceramente nunca imaginei que isto acontecesse."
A partir daí as coisas começaram a correr mal devagarinho,quase que não demos conta disso de repente,
tão longe um do outro,linguagens diferentes,falta de paciência,silêncios que magoam,frases a que não se responde,uma irritação surda,uma impaciência que se tenta disfarçar sem se conseguir disfarçar totalmente,
um desconforto mudo mas presente,cada vez mais presente,uma espécie de enjoo,uma espécie de desgosto,
e me encontro a perguntar,o que faço aqui,o que fazes aqui,qual o motivo de continuar-mos juntos se não faz sentido,qual o motivo de teimarmos ainda? Já nada nos une a não ser os filhos,e por isso a nossa vida tornou-se árida sem sentido.

domingo, 27 de outubro de 2013

Último Adeus

Viagem de regresso
Antes de sair de África,fui despedir-me da Vanda,indo a sua casa,
onde em vez dela encontrei o marido.Enquanto esperava, ele perguntou-me para quando o meu regresso a Portugal,respondi-lhe
que daí a dois dias.A resposta dele,foi,"acho muito bem,as mulheres
querem-se com os seus maridos".Achei estranho aquela resposta.
Seria que ele julgava que eu tinha deixado o Zé porque tinha um amante?Mas depressa deixei de pensar no assunto,porque entretanto
a Vanda chegou,e com as despedidas,os beijos e os votos de felicidade,depressa me esqueci da conversa.
Quando chegamos a Lisboa o Zé estava à nossa espera.Os miúdos
não estavam muito receptivos,mas como tudo era novidade para eles,
depressa passamos a contemplar a cidade,e encetamos a viagem para
Condeixa,que era onde a irmã do Zé tinha uma mercearia,e o marido era construtor civil.Telefonei à minha
mãe,mas não fui lá,pois estava com vontade de ver a casa que o Zé havia alugado para nós,e também porque precisava de descansar.A casa era fantástica,nunca mais tive uma casa tão boa como aquela.Tinha três quartos e uma sala,onde as coisas que eu possuía,(e eram muitas),ficavam a nadar.Mas embora eu gostasse do que via ainda não me sentia à vontade.Tudo me veio de novo à lembrança......e perguntei ao Zé
como era?! O que tencionava fazer,quais eram os planos para o futuro? Respondeu-me que estava tudo controlado e que para começar iríamos pôr os miúdos a estudar numa escola que havia ali em Condeixa.Não fiquei nada entusiasmada,porque eu sabia que os meus filhos mais velhos,que no colégio onde tinham andado,eram alunos de quadro de honra,seria muito difícil,pois eles sabiam muito pouco de português.Em casa eles falavam em inglês,e eu respondia em português,como seria que eles iriam resolver este problema?
O tempo foi passando,a princípio dava-me com a irmã do Zé,embora eu a achasse cínica,não só comigo como também com os clientes.Eu tinha vindo com bilhetes de ida e volta.Como eu via que o Zé estava um
pouco mais sovina no que dizia respeito ao gasto doméstico,um dia perguntei-lhe o que se passava.....ao
que ele me respondeu que havia emprestado uma avultada quantia ao cunhado,e ele ainda não lhe havia devolvido,por estar à espera de um empréstimo bancário,que o mesmo havia pedido ao banco.Passado
algum tempo o Zé começou a vender algumas coisas que havíamos trazido de África.Já farta desta situação
resolvi dirigir-me ao Banco,e perguntar como estava o caso do empréstimo do meu "cunhado",ao que o
Director me respondeu,que não havia nenhum pedido de empréstimo,e mesmo que houvesse,não lhe emprestariam pois ele estava em banca rota.Dirigi-me a casa,e fui buscar os bilhetes com intenção de voltar novamente a África,só que eles haviam expirado dois dias antes!

Regresso

África minha.....
 Passaram-se dois meses,e embora estivéssemos um contra o outro,o Zé
telefonou-me para o serviço dizendo que queria falar comigo.Respondi-lhe
que se era com a esperança de fazermos as pazes,que esquecesse,pois isso
não ia acontecer.Respondeu-me que não,era outra coisa.Contra todas as expectativas,cedi à insistência dele.Encontra-mo-nos,num café ao fim da tarde.Contou-me que havia estado preso durante duas semanas,por causa de ter facilitado uns clientes,no sentido de lhe pagarem a conta com objectos,os
quais viriam buscar,no final da semana,quando fossem pagos.No dia seguinte
a policia apareceu repentinamente no takeway e perguntou-lhe se ele tinha as coisas,como já não era a primeira vez que o fazia,pensou que não era nada
de anormal,e respondeu que sim.A policia prendeu-o por receptor.
Estava hoje ali,para me perguntar se eu queria mandar algumas coisas para Portugal,pois ele ia-se embora
e pretendia saber se nós também queríamos ir.Respondi-lhe que não,o nosso caso havia acabado,no dia em que ele me batera.Os meus filhos estavam bem onde estavam,e assim iam ficar!"Sem rancor,disse ele,deixo-
te uma chave do contentor que estará amanhã há tua porta durante dois dias,se mudares de ideias....."
Normalmente sou muito senhora de mim,muito segura,mas naquele momento,pensei se estaria a fazer mal ou bem....Passaram-se dois dias,ao fim dos quais vieram buscá-lo sem que eu metesse nada dentro.O Zé foi-se
embora para Portugal.Passadas duas semanas,começaram as chamadas das quais me arrependo de ter atendido até hoje! Telefonou-me todos os dias,menos aos sábados e domingos,pois nesses dias eu não ia trabalhar....O que me dizia era sempre o mesmo...."Eu te amo,e aos meus filhos,não podemos viver separados,vem!" Nessas alturas senti-me muito frágil,olhava em redor no trabalho e tinha a sensação de que todos os colegas estavam com um pensamento crítico sobre mim,não obstante cada um estar na sua vida,ocupados com o seu trabalho.Aguentei até puder,e ao fim de dois meses meti a carta a despedir-me.
A minha chefe chamou-me,e disse-me que não iria meter a minha carta,ao Concelho Directivo até há próxima segunda-feira,que eu pensasse naquilo que ia fazer......Até há meia-noite de domingo eu continuaria
a ser empregada da Mutual &Federal Insurance Company,depois disso seria comigo.....
Eu aproveitei as férias dos meus filhos,(e que Deus me perdoe),mas devia de ter partido as pernas naquele dia.......e fizemos a viagem de volta a Portugal......ESTUPIDAMENTE!!!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Separação

Adeus
 Senti uma tristeza nesse entardecer daquela segunda-feira,pois já não tinha dois dos meus filhos em casa.Via-os todos os fins de semana mas,não era o mesmo.
Olhava para as bicicletas dos meus filhos,e pensava no que eles estariam a fazer naquele momento........Mais do que ninguém sentia uma nostalgia antecipada.
Há quem atribua ao Outono,uma grande percentagem de razões para começarmos a cismar,como se nos desfolhássemos como as flores ou as videiras.
E foi com este sentimento que recebi mais uma carta do João Paulo,e desta vez a pedir-me dinheiro emprestado.Eu sabia que para ele chegar a fazê-lo,era porque estava muito desesperado,senão não o faria.Não pensei duas vezes.Tínhamos
quarenta e cinco contos num Banco em Lisboa,e nesse mesmo dia mandei-lhos.
Passados alguns dias comentei com a Vanda que era a empregada da loja,ela não era só a empregada,tinha sido minha amiga,e sabia todo o meu historial.
O tempo foi passando,e o Zé foi tentando distanciar-me da loja,mais e mais.Até que um dia me descompôs
dizendo que comparativamente à empregada,eu não valia nada.Não foi bem o que ele me disse mas sim,a
maneira com o fez.E à frente da Vanda.....Fui para casa arranjei algumas roupas minhas e do meu filho JCarlos e fui para casa da minha filha.Passei lá o fim-de-semana,mas na 2ªfeira o Zé foi buscar-me,e eu perdoei-lhe.Voltei mas as coisas,começaram a ficar muito tremidas.Qualquer pequena má palavra,ou mesmo
má vontade para fazer fosse o que fosse,virava as costas e ía-me embora só para não lhe dar respostas.
Mas,viver assim já não era nada para ninguém.Um dia a minha filha veio de férias a Portugal.Nesse mesmo
dia,ao chegar a casa e à frente do meu filho JCarlos,o Zé perguntou-me pelo cartão do Banco de Lisboa,
e eu perguntei-lhe para que era que ele o queria?! Respondeu-me que era para mandar algum dinheiro à mãe.Ao dizer-lhe que não o podia fazer pois já não havia dinheiro nenhum,pois eu tinha-o enviado à minha
mãe.Nem sequer acabei de o dizer,deu-me uma bofetada que me rebentou o lábio! Peguei no meu filho e fui
para casa do George.Aí fiquei até ao dia que voltei a casa para ir buscar roupa,mas,tinha a porta fechada com nova fechadura.O meu filho,meteu-se pelas grades da casa e abriu-me a porta.Tirei tudo o que precisava.Aluguei um apartamento mobilado e fui viver com o meu filho,com o vil peso da derrota sobre os meus ombros.

     

domingo, 20 de outubro de 2013

2a separação

Separação delorosa
Visitava a minha filha regularmente,antes e depois de vir do trabalho.Ela e eu
trabalhávamos muito perto uma da outra,e a casa dela ficava na baixa de
Johannesburg.Um dia ela já farta das fitas do George,pôs-lo na rua.A partir daí,ia mais vezes lá casa,quando não tinha que ir para a loja de takeway.
Continuava a escrever-me com o João Paulo,e numa dessas alturas,ele contou-me que a mulher o havia abandonado,com contas por pagar,já não
tinha luz,sentia-se cansado e doente,com as prestações da casa também em
atraso. Enfim a vida dele estava um caos.Senti muita pena dele,pois conhecendo-o como eu o conhecia,sabia o que ele estaria a sofrer.
Continuei a viver a minha vida sem nexo,sem nenhuma alegria,somente aquelas que os meus filhos me davam.Assim,houve um dia em que o pai pediu ao PJorge que o ajudasse a
segurar um parafuso no carro,mas que o tinha de segurar direito,o puto ao fazê-lo,descuidou-se e move-o da marca.O pai,não foi de modos,deu-lhe com o martelo em cima da mão,a qual começou logo a inchar.E
gritei com ele que nem uma doida,chamei-lhe troglodita,bruto e estúpido.Ele replicou-me que o que eu precisava era levar também....No dia seguinte,fui falar com a funcionária da Segurança(Walfare),e pedi-lhe para me meter no Boys Town,também aquele filho,pois o pai só sabia era bater-lhes,e eu já não tinha coração para ver os meus filhos serem tratados daquela maneira.Levou apenas uma semana a concluir o processo de meter o meu filho PJorge,na escola interna.No dia da despedida,parecia que me arrancavam as
entranhas.Parecia que o Mundo acabava ali!
Há muito que o Zé não me procurava como mulher,pois dizia que estava cansado da loja,mas devo confessá-lo que se ele me procurasse,depois de eu pôr os meus filhos fora de casa,por causa dele eu não lhe perdoaria,e não me sujeitaria a tal.Deus quis que ele nem sequer tentasse!

domingo, 13 de outubro de 2013

Mau feitio

Temperamentos
 O tempo foi passando,entre o emprego os fins-de-semana com os meus filhos,e as cartas que iam chegando de Portugal........eu fui podendo viver mais alguns anos com alguns sobressaltos.Entretanto,
recebi uma carta da minha filha Nany,onde me pedia para eu a receber em minha casa,com o marido e a filha,até eles recomporem a
vida.A princípio eu não queria,mas o Zé,e a vontade de ter a minha neta comigo,fez com que eu aceitasse.Por fim lá vieram viver connosco.Mas como sempre as coisas,não correram lá grande coisa,
pois ela passado pouco tempo,veio-nos dizer que tinha arranjado casa para viver.Vim a saber pouco depois,que estavam a viver numa casa de hospedes.O George já havia arranjado emprego,e eu pensei que estivessem bem.Mas as chatices,começaram a dar-se porque por fim tinham arranjado casa,mas,a minha filha não estava pelos ajustes de continuar a viver com ele,por causa dos seus ciúmes.Certa vez,estando eu de visita a casa deles o George tentou matar-se.Eu fiquei aflita mas a minha filha,não ligou nenhuma ás ameaças dele,e acabaram por se separar.
Nós tinhamos posto um restaurante-café,onde o Zé trabalhava,tendo como ajudante uma rapariga madeirence.Eu continuava na Seguradora,só no fim do dia,é que eu ia dar uma mãozinha,e nos fins-de-semana.O meu J.Carlos e o P.Jorge ficaram numa escola ali perto da loja.O J.Carlos almoçava e dormia todas as tardes num sofá cama que nós tínhamos no escritório.Um dia o meu filho veio dizer-me que tinha medo de dormir na loja pois ouvia gemidos.Não liguei,pensei que eram maluquices de criança.Mas,dia a dia o Zé ia ficando cada vez mais impossível de se aturar.Berrava com o J.Carlos,(que era o preferido dele),batia no P.Jorge e,só eu escapava porque,(penso eu agora),os meus filhos ainda estavam em casa.Um
dia chegou uma carta vinda de Lisboa,dizendo que o Leonel,assim se chamava o filho do Zé,queria vir viver para a África do Sul,se nós o aceitávamos? Que raio de mulher seria eu se dissesse que não?! Ele tinha sempre aceite a minha filha,senti-me na obrigação de o aceitar.Por fim o Leonel chegou.Ficou em nossa casa,mas queria fazer uma vida,completamente sem rei nem roque......estava todo o dia a dormir e à noite saía para ir ter com africanas.Até que um dia chegou ás 4h da manhã e o pai,queria-o pôr fora.Eu não o
deixei e disse-lhe se o queria fazer,que o fizesse de dia! Tivemos uma discussão feia.....eu sentia que o Zé estava mudado,e eu não sabia porquê!

entrevista de emprego

Entrevista
 Comecei a trabalhar na Anglo American,mas a pensar mudar-me assim que conseguisse um emprego melhor.Porque trabalhar sem Plano de Saúde,era muito caro.Um dia ao ler o Jornal,li um anúncio da companhia de seguros,
Mutual and Federal Insurance Company.Fui à entrevista,num prédio de vinte
oito andares.O entrevistador era um moço de raça negra,muito bem disposto,que me pôs muito à vontade.Perguntou-me coisas sobre a minha vida,quantos anos tinha,que curso tinha tirado,a minha experiência pro- fissional,e porque queria deixar o presente emprego.Respondi-lhe porque
me pagavam pouco,e porque não gostava daquilo que fazia,"E do que é que
você gosta?",perguntou-me em tom jovial.Senti-me a corar,remexi-me na cadeira,entrelacei os dedos no colo. A pergunta soava-me demasiado inconveniente,nem sei bem porquê.
Não podia dizer a verdade,ou podia?Quero simplesmente um emprego,não interessa o porquê.Será que me vai achar estúpida,e sem ambição?Pensei eu.....Então disse-lhe que sempre tive curiosidade em trabalhar numa seguradora,e agora gostava de trabalhar nesta.Ao preencher a forma pedi menos 100Rds do que aquilo que estava a receber na Anglo American.Ele fez um sorriso que me pareceu constrangedoramente condescendente.Mas,no fim,ofereceu-me um lugar de contabilista.Eu aceitei.Passadas duas semanas já era bem aceite por todas as outras contabilistas que trabalhavam lá há mais anos.O que eu não sabia na altura,era que a pessoa que me deu a entrevista,era apenas o chefe de secção.A chefe principal,estava de férias.Quando chegou,mandou chamar-me e perguntou-me,porque eu estando a ganhar 850Rds,tinha pedido somente 750Rds.Então,talvez porque ela era mulher,contei-lhe a verdade.E disse-lhe o que o médico me havia dito acerca da minha saúde, que me havia dado apenas três meses de vida!!!
Ri-mo-nos e ela disse-me;"Vamos a ver isso".No fim do mês recebi o cheque com a importância de 850Rds.  

domingo, 6 de outubro de 2013

O paraíso na terra

África do Sul minha  3ª casa
 Seguimos para casa,mas nada se passou pois o gerente,não apresentou queixa,talvez tivesse tido vergonha da maior sova da sua vida.Mais tarde vim a saber que o George,(o futuro marido da minha filha),era sobrinho do gerente.
Entretanto,o Zé veio saber que se desse o nome para fazer parte das forças armadas da África do Sul,nós poderíamos entrar com facilidade.O Zé ainda foi ter com a Nany para lhe perguntar se ela queria ir connosco,mas,
ela recusou.Mais tarde vim a saber que ela estava grávida
O Zé por fim foi aceite e nós rumamos à África do Sul pois o nosso sonho de voltarmos a Moçambique,
malogrou-se! África estava perdida para os Portugueses,por causa da malfadada revolução do 25 de Abril!
A minha chegada a Pretoria,foi horrível,pois meteram-nos num hotel,e com três diabinhos,foi obra..Ao fim de seis meses de hotel,eu já estava mais que farta.O Zé,arranjou uma casa em Johannesburg e mudámo-nos para lá. Os miúdos entraram para a escola,e a nossa vida começou a decorrer,mais ou menos.E digo isso porque o Zé pegava-se muito com o Zézinho porque já o disse antes,ele tinha um problema,e não havia meio de o largar,o mais novo também,eu andava doida,sem saber o que fazer.O Zé,batia-lhe de cinto,e eu não podia aceitar porque me lembrava de mim própria.....Fui falar com os Serviços Sociais,e arranjei maneira de o Zézinho entrar no "Boys Town",um colégio interno,onde o meu filho só vinha a casa de férias.Foi doloroso para mim,mas,era a única maneira de o tirar das mãos do Zé.Entretanto,vim a saber que a minha filha se tinha casado,e que haviam embarcado para a Grécia,de onde o George era natural.Eu arranjei trabalho,como contabilista numa loja de venda de tintas,e aí fiquei durante um ano.Um dia,vi um anúncio da Anglo American,pediam contabilistas.Propôs-me ao lugar,e fui aceite,mas quando cheguei ao exame de saúde,derivado ao meu problema de bronquite asmática,o médico cortou-me o plano de saúde dizendo que eu só tinha mais três meses de vida....    

 

Separação da filha

Separação
 A minha filha continuou na escola e em nossa casa até fazer 18 anos.Durante esse tempo tive que aceitar muitas mais coisas que não estava preparada para aceitar.O Zé (pai),foi o grande responsável por eu o fazer.Na ideia dele,só levando-a com paciência e amor,eu poderia modificá-la.Foi uma das piores épocas da minha vida.Eu nunca faltei ao respeito aos meus pais,e não compreendia,como ela podia responder-me e fazer coisas que  achava que tinha direito.Assim
no dia 23/08/82,resolveu sair de casa.Embora o Zé lhe pedisse para reconsiderar,ela manteve-se firme.Quando fui limpar o quarto dela,encontrei pontas de cigarros feitos à mão,pareceu-me estranho e mostrei ao Zé,o qual me disse que aquilo eram charros,ou o que restava deles.Só nessa altura percebi o comportamento dela.Só consegui aceitar tudo o que se passou naquela altura,porque continuava a escrever ao João Paulo,era ele que de longe me dava alento e coragem.
Fui à escola,mas ela já não estava lá,pois como era necessário pagar e bem,ela havia desistido.Durante bastante tempo,não soube dela,até que um dia uma das minhas comadres,me veio dizer que ela estava como caixa de um supermercado.Fui até lá,para lhe falar,mas ela não quis,e desapareceu no interior .No seu lugar apareceu o gerente da loja,que me disse para desaparecer dali.Respondi-lhe que ela era minha filha,e que eu tinha o direito de falar com ela.Ele então retorquiu-me,saia, senão terei que o fazer à força "sua filha da p---".Fui-me embora lavada em lágrimas,telefonei à minha comadre,e contei-lhe o que se havia passado.O que eu não sabia é que o Zé estava na casa-de-banho.Quando dei por isso,pensei que ele não havia ouvido nada,pois nada mencionou.No dia seguinte era dia de ir-mos às compras,(pois em África é assim),ele telefonou para um amigo e disse qualquer coisa como,"é só para testemunhares",não percebi na altura.Quando chegamos à rua,em vez de tomarmos a direcção do Supermercado,onde costumávamos ir,
fomos direitos aquele onde a minha filha trabalhava.Eu entrei com o Zé e a seguir entrou o amigo.Dirigi-me às prateleiras para começar a tirar o que era preciso,quando percebi que o Zé estava a falar com o gerente da loja.Não sei o que disseram,só sei que às duas por três,o gerente chamou-lhe filho da "p---",como havia feito comigo.Só que o Zé nunca admitira a ninguém que chamassem nomes à sua mãe....Foi o fim,os dois envolveram-se numa luta corpo a corpo,vieram mais seis ajudantes,levaram também,e no fim só vi o gerente da loja,que a princípio estava de camisa e gravata,ficou só em calças,com as camisas às tiras,e a pistola que ele tinha trazido,o Zé tirou-lha,e meteu-lha na boca,e perguntou-lhe"E agora se eu apertasse o gatilho'".
   

domingo, 29 de setembro de 2013

Castigo

castigo
 O Zé (pai),recebeu a minha filha,de uma maneira como eu nunca esperei,
pois sendo ele um homem do campo,julguei que não lhe fosse ligar nenhuma,mas antes pelo contrário.Desde logo levou-a ás melhores lojas de
mobílias,e comprou-lhe uma mobília de quarto igual à nossa mas em branco.
Depois levou-a por Salisbury,para ela escolher vestidos,sapatos,malas,enfim
tudo o que ela quisesse,resultado quando chegaram a casa,eu vi que muitas
coisas que a minha filha havia comprado,eu não lhe teria concedido licença para o fazer.Ainda não contente com isso,levou-a ao melhor colégio particular,e inscreveu-a para ela começar a estudar.Perante isto quem poderia,não gostar dele?Devo dizer que embora o não amasse,nunca lhe fui infiel,e admirei-o sempre pela sua força,mas perante o que ele fez à minha filha ainda lhe fiquei mais agradecida.Os meus filhos esses,acho que foi a novidade de terem uma irmã em casa,que os levou a gostarem dela.Eu continuei a frequentar a Thecnical School,para tirar Inglês e aprofundar mais a contabilidade.Enquanto os miúdos estavam na escola e a Nany no colégio,eu preenchia os meus dias fazendo aquilo que eu mais gostava de fazer,estudar!De tarde levava os miúdos ao playgrond,onde eles se divertiam.Assim eram os meus dias,até que me vieram contar que a minha filha,todas as tardes era vista com um rapaz monhê,(indiano),dentro dum carro parado à minha porta,em posições indecorosas.Resolvi tirar tudo a limpo.E uma tarde fingi que ia para a escola,mandei a minha empregada mais cedo para casa,e escondida,fiquei à espera de ver aquilo que já muita gente havia visto.Não tive de esperar muito tempo,deviam de ser umas 2h da tarde,vi vir a minha filha dentro de um carro,efectivamente com o tal moço,pararam debaixo da nossa casa,e começaram aos beijos,e mais não sei o quê,pois não me era dado espiar como devia de ser.Só pararam quando se aperceberam que já era horas de eu chegar.  Entretanto,como a casa tinha entrada pela parte da frente e por traz,quando ela entrou em casa, eu já lá estava.Quando me viu,ficou sobressaltada,e ainda mais quando eu a mandei sentar-se na cama,e munida de uma tesoura lhe cortei o cabelo quase à escovinha! A minha filha tinha uns cabelos lindos por meio das costas,e eu ao fazer-lhe aquilo,esperava que ela ficasse feia,mas em vão,ela ficou ainda mais bonita.

Regresso

Regresso
 No dia seguinte o João Paulo telefonou-me a dizer que não tinha aparecido por causa de problemas de trabalho.Pediu desculpas e deu-me uma morada para poder entrar em comunicação,quando regressasse a África.Embora estivesse cheia de problemas,(por causa do Zézinho),porque eu achava que o tratamento que lhe estavam a fazer,deixava muito a desejar,ainda assim pode pensar que a desculpa dele,era isso mesmo apenas uma desculpa....ele
não devia de ter aparecido por causa da mulher....bem não interessa,já passou.No fim de semana seguinte a minha filha resolveu ir a um concerto,
em Cascais,e disse-me que ia na sexta-feira,mas que vinha de madrugada.Então eu pedi-lhe que senão viesse,que me telefonasse.Esperei por ela,fazendo crochet e vendo televisão.Eram quatro horas da manhã quando me fui deitar,sem a minha filha ter voltado.No dia seguinte a mesma coisa,no domingo ainda o mesmo.Na segunda-feira,a minha mãe,que ainda se encontrava lá,recebeu um telefonema da Nany.Depois de desligar,disse-me que a minha filha lhe tinha pedido que ela lhe pagasse o taxi,que tinha que apanhar em Sintra,porque ela,já não tinha dinheiro para chegar a Colares.Pedi então à minha mãe que não lhe dissesse que era eu que lhe ia pagar o taxi,e que ela não deveria de saber em situação nenhuma.Daí por meia-hora a minha mãe saiu e voltou acompanhada da minha filha,a qual,chegou ao pé de mim para me dar um beijo,eu afastei-a e perguntei-lhe,"Sabes que dia é hoje"?Ao que ela me respondeu,"Há já sei,tu estás assim porque me deste o dinheiro para eu pagar o taxi,mas,fica sossegada,porque eu vou ali para a estra."..
Não acabou de dizer o resto porque logo a seguir,apanhou uma tareia,como ela nunca tinha apanhado.A seguir peguei em todas as prendas que lhe havia trazido,e com uma tesoura mais um martelo,desfiz tudo ali mesmo.Senti uma revolta tão grande,dentro de mim....eu durante toda a minha vida,nunca faltei ao respeito à minha mãe,desejei sempre vir buscar as minhas filhas,e ser tratada assim....A minha mãe voltou-se para mim e disse-me,"Agora é que não vais conseguir levá-la para África"! Ao que eu respondi:"A mãe pode ter a certeza de que ela entra no avião nem que seja puxada pelos cabelos,mas vai"! E passado uma semana,lá nos metemos TODOS no avião com destino à Rhodesia.

domingo, 22 de setembro de 2013

Reencontro

Reencontro
 O pior penso,é a saudade.Já não o vejo Há quase oito anos,não falo com ele,e no entanto,não o esqueci!O pior de tudo é não haver uma forma de desligar,de o apagar da memória. O pior é parar a meio do dia a pensar no que ele deve de estar a fazer,e começo a forjar uma maneira de entrar em comunicação com ele.Escrevi-lhe uma carta,para a única morada que tinha dele,em Coimbra.Era a casa das avós,possivelmente ele deveria de as visitar....mandei o numero de telefone onde eu estava,e foi até hoje a espera mais dolorosa que passsei .Entretanto,comecei a tratar dos papeis para trazer a minha filha Ana."Eu sei que não devia de ter-te deixado,mas na altura,não tinha os pés bem assentes na terra e,por isso,fiz outras opções,e afastei-me de ti.A certa altura,recordo-me bem,tinha a certeza de que iríamos ficar juntos e que seriamos felizes,mas no final também me cansei de lutar sozinha pelos dois." Isto foram algumas das palavras que escrevi na carta para ele.....
De noite eu mantinha um sono ligeiro,destapado,agitado,desconfortável.Quando um dia o telefone tocou,eu senti.......que era ele.Pouco falamos,só marcamos encontrar-nos daí a dois dias no Porto,onde ele se encontrava a trabalhar. Contei tudo há minha filha,e disse-lhe que ela me encobrisse e fosse comigo ao Porto.Ela compreendeu.Telefonou à avó e pediu-lhe que viesse até Colares,pois ela e eu precisávamos fazer
fazer uma viagem de dois dias,e se ela podia tomar conta dos miúdos.Ela acedeu de má vontade mas,veio.
Na sexta-feira seguinte lá fomos até ao Porto,encontrá-mo-nos na estação de comboios.Eu queria ter-lhe dado um beijo,mas por causa da minha filha,mantive as aparências.Sempre que pensava nele,durante todos estes anos,não o via necessariamente como ele era,mas como me lembrava dele e,de modo algum,como ele é hoje,pois não o via há mais de dez anos.A vida não é aquilo que vivemos,senão o que recordamos e como recordamos para contar.Conversamos,jantamos e depois foi pôr-nos ao Hotel com a promessa de que viria ver-nos no dia seguinte.Porém,no dia seguinte,não lhe foi possivel aparecer,pois teve que se deslocar a serviço.Tomamos o comboio de volta para Lisboa.Quando cheguei ao Cacém,a minha mãe comunicou-me  que o Zézinho tinha sido atropelado por um carro e que o avô,tinha ido com ele ao hospital.Fiquei arrependida de não ter ficado a desempenhar o meu papel de mãe,em vez de me agarrar a uma lembrança tão triste.Seria castigo?

1ªVinda a Lisboa

Minha Lisboa 
 Ao fim de ano e meio,lá regressamos a Salisbury.E foi aí que resolvemos que eu iria a Lisboa apresentar os meus filhos aos meus pais,e ao mesmo tempo ir buscar as minhas filhas,ou aquela que quisesse vir.Ao fim de um mês,tinha por fim todas as condições resolvidas para poder viajar.Numa
manhã de verão,meti-me no avião com o pequenito ao colo,e os dois diabinhos.Não sei se alguém sabe o que representa fazer uma viagem de 10h
com três miúdos pequenos.....é realmente uma tragédia,mas lá fomos.As hospedeiras,viram-se malucas,connosco.Tiveram que fazer uma visita guiada
para os meus dois mais velhos,senão ninguém parava quieto.Por fim lá chegamos a Lisboa!
No Aeroporto,estava a minha mãe,o meu padrasto,a minha filha mais nova,pois a mais velha como era fun-
cionária
publica não tinha podido vir.A recepção da minha mãe,não podia ter sido pior,voltou-se para mim,e per-
guntou-me,"o que é que vies-te cá fazer?"A minha vontade,se não fosse o que eu tinha em mente ,acho que teria sido meter-me no próximo avião e sair dali para fora.A minha mãe sempre foi muito "calorosa"para comigo.O meu padrasto,deu-me um beijo e perguntou-me se eu havia feito boa viagem.Quanto à minha Ana,agarrou-se a mim a chorar.Metemo-nos no carro do meu padrasto,e fomos levados para Colares,para a casa de campo.Naquela altura,não pensei no porquê de me porem ali,mas hoje a esta distância,estou em crer que a minha mãe o fez,para tornar a minha vida dificílima,no sentido de eu não poder encontrar-me com o João Paulo.Fiquei,a minha filha quis ficar comigo também.Achei-me no céu.Tinha os meus filhos,e a minha filha ao pé de mim,que mais podia eu desejar?Eu tinha levado umas lembranças para as miúdas tais como,relógios,pulseiras,capulanas,enfim,tudo aquilo que eu esperava que elas pudessem gostar.Dei logo as primeiras prendas à Ana,e fiquei há espera que a minha filha Teresa viesse no fim-de-semana,ver-me para lhe entregar as dela.E foi assim que eu vi pela primeira vez a minha mais velha.Falamos
expliquei de só agora ter vindo.Disse-lhes que vivia bastante bem em África,mas que não dava para esbanjar.Achei a minha filha Teresa muito retraída,e a Ana mais aconchegante e terna.Só mais tarde vi a minha mais velha aos beijos com um rapaz de lá da terra,(Colares),com quem mais tarde veio a casar.E eu pensei para com os meus botões que ela já não tinha carícias para mim,pois já tinha a quem as dar.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Trabalhar na Mina

Entrada da Mina
 Passei todo esse tempo que estivemos na mina,a aprender coisas que talvez
nunca mais venha a fazer na vida.Deram-nos uma casa circundada de terreno onde o Zé pai gostava de fazer a sua horta.Semeou feijão verde,batatas,cebolas,e dentro da piscina abandonada plantou agrião! Nunca vi folhas de agrião tão grandes como as nossas.As cebolas também eram enormes,e duraram todo o ano.
Eu aprendi sem querer, a plantar tomates.Um dia lavei os tomates e deitei fora a água para o terreno na saída da cozinha.Passados alguns dias,comecei
a ver germinar umas folhinhas,não liguei,mas também não arranquei,e passados algum tempo surgiram os tomates!
Passei esse ano,levando os meus filhos à escola,no carro sem carta,mas se eu não o fizesse os miúdos não poderiam frequentar a escola pois o pai não os podia levar.Levava-os também à piscina,e qualquer um deles começou a nadar antes mesmo de saberem andar.Aos fins-de-semana, fazíamos picnikes,com churrasco e playground.Os meus compadres vinham ver-nos de vez em quando.No dia de anos é que eu conseguia reunir toda a gente.Não vinham mais vezes,e eu até os compreendia,pois fazer 80km para cima e para baixo,só para ir a um churrasco,era demais.Quando se fazia a festa dos anos é que era bonito,com muitas prendas,bolo e tudo o que eles tinham direito.
Eu acho que o Zé(pequeno),é muito malandro,e cómico.O P.Jorge é o mais inteligente mas,calado.Quanto ao j.Carlos ainda não dá para ver.Esperemos que toda a minha gente consiga singrar na vida,é o que eu peço a Deus.Não se admite que eu esteja a fazer todo este sacrifício,e que eles não venham a ser aquelas
criaturas que eu gostaria que fossem,felizes e com sucesso na vida.Que Deus permita!  

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Baptizados

Três Baptizados 
Porque é que as mulheres engravidam sem amor?
Porque é que Deus permite tal coisa?
Será para que os nossos filhos nos ajudem a superar este infortúnio?
Há noites que duram mais,horas lentas que nunca mais passam.As estrelas brilham lá fora,mas no meio peito há sonhos e desejos inconcretizáveis.....
Fecho os olhos e viajo para Mundos únicos.....a minha noite é feita de ausências,
tristezas e lágrimas,saudades de um amor,que já me fez sonhar,e que agora está longe,muito longe......
Hoje tenho este que me corroi por dentro,e os meus filhos.E por eles levarei a cruz ao calvário! Mas,penso que embora a lua e as estrelas brilhem lá fora,eu sinto que nunca poderei ser feliz,até ao dia em que lhe possa dizer....."O verdadeiro amor nunca morre".Mas,quando,
quando é que isso será,meu Deus?
Resolvemos baptizar os miúdos,tenho pelo menos três casais fantásticos,um é a D.Emília e o Sr. José o seu marido,que foram os padrinhos do Zézinho,(o mais velho).A D. Maria Santos e o marido o Rui,foram os padrinhos do mais novo,o Carlos.A D.Lourdes e o Sr.João foram os padrinhos do Jorge,(o do meio).Foi uma festa muito bonita.Mas nessa noite,soube que iria haver uma nova mudança nas nossas vidas.O Zé resolveu ir trabalhar para uma mina em Arthurus,que é uma povoação que fica a 80km de Salisbury.Vamos nos mudar no fim do mês.Teremos direito a uma casa com três assoalhadas.O sítio não é feio mas,ficarei longe de todas as minhas amigas,e já não poderei trabalhar.
E foi aí que comecei a sentir mudanças no Zé (pai).Começou a tratar os miúdos,com tareia! As vezes por coisas pequenas.....os meus filhos não gostavam de sopa de nabos,como não queriam comer,apanhavam!
O meu Zézinho tinha um problema,obrava nas cuecas.Não conseguia chegar á casa de banho a tempo....o pai em vez de o ensinar,pegava no cinto e batia-lhe!!! Foi um inferno o ano e meio que estivemos lá.Um dia com os nervos peguei no carro,para levar os miúdos à escola,e como estava cheia de pressa,cheguei a um sítio onde estava um carro parado,e do outro havia uma parede,carreguei no acelarador e risquei o carro de uma ponta à outra! Há noite encostei o carro na garagem junto à parede mas,o Zé (pai),já sabia,mas fez de conta,e disse-me que ía tirar o carro da garagem,mas eu sempre arranjava algo para ele não o fazer.Quando por fim tirou o carro,tivemos três dias sem nos falar-mos.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Cesariana

Quinto filho
 No ano em que chegamos há Rhodésia,fiquei grávida.Tentei.e planeei ir à África do Sul,fazer um desmanche mas,o Zé não me deixou.Até me ameaçou
que faria queixa de mim à policia.Eu achava que eram filhos a mais,e não sabia qual seria o meu futuro.
Continuei a trabalhar no O.K.Bazaar,até aos seis meses de gestação.Nesse meio tempo,comecei a dizer à minha família,que queria as minhas filhas comigo.Como sempre a minha mãe,respondeu-me que a mais velha,não iria a lugar nenhum,pois andava a tratar de entrar para a função pública.Já a outra,a mais nova.....estava a dar-lhe muitos dissabores.Vim a saber que ela,tinha  fugido de casa seis vezes
 tinham posto a sua foto nos jornais,a qual me mandaram.Numa dessas vezes,fez-lo com uma colega da escola,foi para uma praia e meteu conversa com uns pescadores que haviam por lá.Quando foi encontrada a minha mãe perguntou-lhe o que é que tinha acontecido,ao qual ela replicou que os pescadores as tinham violado.Quando a policia a fez ser vista por uma junta médica,nada tinha acontecido.Fiquei em pânico.
Como é que eu podia ter tido uma criança tão paranóica,tão cheia de problemas?! Ou seria por causa de ser criada pela minha mãe,pensando que eu a havia desprezado?Por essa razão,resolvi que assim que eu tivesse o meu filho,iria buscá-la.
Tinha por fim chegado o dia do nascimento do meu último filho! Andei toda a noite com dores,e por volta das 8h da manhã rebentaram-me as águas,mas,a criança não queria sair.Estive à espera do meu médico até
ás 12h cheia de dores.Quando o Dr. chegou,começou a tentar dar-me explicações,de como ia fazer e porquê.Mandei-o calar e disse-lhe;"Dr.faça o que tem de fazer mas depressa"!
Quando abri os olhos,passadas duas horas,o Zé disse-me todo sorridente,"É mais um rapazito".Adorei.
Acho que os rapazes são o máximo.E dei graças a Deus,por não ter feito o desmanche!
Passados três dias,fomos para casa e foi uma festa.Acho que os mais "velhinhos",devem ter pensado que o meu bebé era um brinquedo.....