| Adeus |
Olhava para as bicicletas dos meus filhos,e pensava no que eles estariam a fazer naquele momento........Mais do que ninguém sentia uma nostalgia antecipada.
Há quem atribua ao Outono,uma grande percentagem de razões para começarmos a cismar,como se nos desfolhássemos como as flores ou as videiras.
E foi com este sentimento que recebi mais uma carta do João Paulo,e desta vez a pedir-me dinheiro emprestado.Eu sabia que para ele chegar a fazê-lo,era porque estava muito desesperado,senão não o faria.Não pensei duas vezes.Tínhamos
quarenta e cinco contos num Banco em Lisboa,e nesse mesmo dia mandei-lhos.
Passados alguns dias comentei com a Vanda que era a empregada da loja,ela não era só a empregada,tinha sido minha amiga,e sabia todo o meu historial.
O tempo foi passando,e o Zé foi tentando distanciar-me da loja,mais e mais.Até que um dia me descompôs
dizendo que comparativamente à empregada,eu não valia nada.Não foi bem o que ele me disse mas sim,a
maneira com o fez.E à frente da Vanda.....Fui para casa arranjei algumas roupas minhas e do meu filho JCarlos e fui para casa da minha filha.Passei lá o fim-de-semana,mas na 2ªfeira o Zé foi buscar-me,e eu perdoei-lhe.Voltei mas as coisas,começaram a ficar muito tremidas.Qualquer pequena má palavra,ou mesmo
má vontade para fazer fosse o que fosse,virava as costas e ía-me embora só para não lhe dar respostas.
Mas,viver assim já não era nada para ninguém.Um dia a minha filha veio de férias a Portugal.Nesse mesmo
dia,ao chegar a casa e à frente do meu filho JCarlos,o Zé perguntou-me pelo cartão do Banco de Lisboa,
e eu perguntei-lhe para que era que ele o queria?! Respondeu-me que era para mandar algum dinheiro à mãe.Ao dizer-lhe que não o podia fazer pois já não havia dinheiro nenhum,pois eu tinha-o enviado à minha
mãe.Nem sequer acabei de o dizer,deu-me uma bofetada que me rebentou o lábio! Peguei no meu filho e fui
para casa do George.Aí fiquei até ao dia que voltei a casa para ir buscar roupa,mas,tinha a porta fechada com nova fechadura.O meu filho,meteu-se pelas grades da casa e abriu-me a porta.Tirei tudo o que precisava.Aluguei um apartamento mobilado e fui viver com o meu filho,com o vil peso da derrota sobre os meus ombros.
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