| Separação |
no dia 23/08/82,resolveu sair de casa.Embora o Zé lhe pedisse para reconsiderar,ela manteve-se firme.Quando fui limpar o quarto dela,encontrei pontas de cigarros feitos à mão,pareceu-me estranho e mostrei ao Zé,o qual me disse que aquilo eram charros,ou o que restava deles.Só nessa altura percebi o comportamento dela.Só consegui aceitar tudo o que se passou naquela altura,porque continuava a escrever ao João Paulo,era ele que de longe me dava alento e coragem.
Fui à escola,mas ela já não estava lá,pois como era necessário pagar e bem,ela havia desistido.Durante bastante tempo,não soube dela,até que um dia uma das minhas comadres,me veio dizer que ela estava como caixa de um supermercado.Fui até lá,para lhe falar,mas ela não quis,e desapareceu no interior .No seu lugar apareceu o gerente da loja,que me disse para desaparecer dali.Respondi-lhe que ela era minha filha,e que eu tinha o direito de falar com ela.Ele então retorquiu-me,saia, senão terei que o fazer à força "sua filha da p---".Fui-me embora lavada em lágrimas,telefonei à minha comadre,e contei-lhe o que se havia passado.O que eu não sabia é que o Zé estava na casa-de-banho.Quando dei por isso,pensei que ele não havia ouvido nada,pois nada mencionou.No dia seguinte era dia de ir-mos às compras,(pois em África é assim),ele telefonou para um amigo e disse qualquer coisa como,"é só para testemunhares",não percebi na altura.Quando chegamos à rua,em vez de tomarmos a direcção do Supermercado,onde costumávamos ir,
fomos direitos aquele onde a minha filha trabalhava.Eu entrei com o Zé e a seguir entrou o amigo.Dirigi-me às prateleiras para começar a tirar o que era preciso,quando percebi que o Zé estava a falar com o gerente da loja.Não sei o que disseram,só sei que às duas por três,o gerente chamou-lhe filho da "p---",como havia feito comigo.Só que o Zé nunca admitira a ninguém que chamassem nomes à sua mãe....Foi o fim,os dois envolveram-se numa luta corpo a corpo,vieram mais seis ajudantes,levaram também,e no fim só vi o gerente da loja,que a princípio estava de camisa e gravata,ficou só em calças,com as camisas às tiras,e a pistola que ele tinha trazido,o Zé tirou-lha,e meteu-lha na boca,e perguntou-lhe"E agora se eu apertasse o gatilho'".
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