sexta-feira, 31 de maio de 2013

Viagem

Beira
 Tudo o que acontece é como se fosse produto da nossa vontade.Só mais tarde é que se repara que o nosso caminho já está construído,que alguém o traçou para nós,e que só nos resta seguir em frente....
Ao encetar esta minha viagem,para ir ter com o João Paulo,comecei a pensar que toda a gente que possuiu o meu corpo,nunca tocaram a minha alma.Mas,
ele sim,estava doida por chegar,queria correr os meus dedos pelos seus cabelos encaracolados,beijar os seus lábios carnudos,partilhar a mesma cama,acordar enrolada nele,enfim.........tudo!
Foi por isso que quando  fizemos escala pela África do Sul,e me mandaram sair,pois haviam pessoas com o O.K. na passagem,e eu não o tinha,aí aprendi que nunca se deve de fazer uma viagem sem esse o.k,!
Fiquei num óptimo Hotel,(Hilton),mas isso não fez com que eu não ficasse desiludida,por ter sido tão descuidada. Quando nessa noite desci para jantar,fiquei um misto de envergonhada,e espantada,pois na sala só haviam Sras.com vestidos de noite,e os homens de fraque,enquanto que eu.......estava de saia de xadrès e blusa de malha! Aproveitei para mandar um telegrama ao João Paulo,dizendo-lhe que já ia a caminho e dando-lhe conhecimento que me havia atrasado.Ao fim de três dias lá seguimos viagem mas,qual não foi o meu espanto quando ao chegar à Beira,encontro à minha espera o Alexandre Sarmento,um moço que havia andado com a minha amiga Ivone,numa das suas passagens por Portugal,(quando ela ainda não andava com o Ministro).O Alexandre comunicou-me que o João,tinha tido que ir fazer um voo de reconhecimento a Porto Amélia,e que eu daí a dois dias,iria ter com ele num voo no Noratlas,(para quem não sabe,era um avião"bojudo"da Força Aérea).Eu não sabia o que pensar,e o que senti,raiva,desilusão,confusão,tudo ao mesmo tempo.Estive dois dias na Beira,completamente só,sem sequer sair do Hotel,com um sentimento de desolação.....Ao fim desse tempo o Alexandre veio buscar-me e levou-me ao Aeroporto,onde finalmente apanhei o avião rumo ao dono do meu coração.  

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Fuga

Empregadas de Bar
 Com o tempo com o trabalho e com as pessoas      que fui conhecendo,não posso dizer que me esqueci dele,mas foi mais fácil conviver.Ao fim de dois meses de estarmos a trabalhar,a Lucy,
resolveu que queria ir embora,eu e a Fernanda 
tivemos de arranjar como pudemos.O trio estava
destruído.Resolvemos então ir trabalhar na "barra"
dos bares,ou seja,servíamos bebidas ao balcão.
E foi aí que conheci um Sr. muito simpático,viúvo com três filhos,que começou a interessar-se por
mim.Contei-lhe que tinha duas filhas em Lisboa.
Entretanto,apareceu um bar,junto daquele onde
estávamos a trabalhar,para venda.Um dia disse-lhe que gostaria de ter dinheiro para poder comprá-lo.O Sr.
perguntou-me se ele me desse o dinheiro que eu precisava,se iria viver com ele?! Acho que nem pensei....
Disse-lhe logo que sim.No dia seguinte eram 12h.ele veio ter comigo,e depositou nas minhas mãos o dinheiro para comprar o bar.Eram 14h.já estava em Madrid a comprar o bilhete para Moçambique.Queria ter passado por Lisboa mas,o avião atrasou fiquei três dias metida no Hotel em Madrid,sem daí sair com medo que o Sr. de Torremolinos viesse à minha procura e me encontrasse.Nada aconteceu.E no dia 6/06/1966 dia da inauguração da ponte sobre o Tejo,os aviões estavam superlotados,foi quando parti para Moçambique.Estava triste porque não tinha podido passar por Lisboa para pegar as minhas filhas mas,por outro lado estava muito feliz pois ia a caminho do Meu Homem!                                                                     

Tristeza

Torremolinos

 Passou um mês +2 dias,ando a conta-los contra vontade.Durante este
 tempo aproveitei para vender mobílias e dar a minha mãe,tudo aquilo que
 poderia ser vendável ou interessante para as minhas filhas.O facto de eu
 querer fugir,não é só por eu poder ir responder,por ter aberto a cabeça
 ao policia mas,também porque eu souber que existe um inspector na Judiciária que diz se encontra-se a mãe dele na rua,a prendia! O que se 
pode esperar dum gajo destes? Resolvi fazer um trio com a Lucy mais a
Fernanda,e claro eu.E fomos para Espanha.
A carruagem vai quase vazia.Aproveitamos uma oportunidade que andava a adiar,por amor.Mas agora já
nada me prendia a Lisboa.Parti,mas não sem antes dizer à minha mãe que viria buscar as minhas filhas.A
distância é uma coisa boa,mas as recordações dolorosas vieram comigo,porque a memória não se desliga
A tristeza só esmorece com o tempo,seio bem,mas isso não me ajuda mais.O tempo custa a passar....
Vamos trabalhar para Torremolinos. A principio ainda andei meio murcha,mas depois a esperança tomou 
conta de mim.Só pensava que ia arranjar dinheiro para ir buscar as minhas filhas e voar para o pé dele.
É de noite,deitada sem as minhas colegas verem,é que as lágrimas descem pelo meu rosto desolado.É altura
pior do dia,pois lembrou-me da sua voz e do modo como se ria,os seus olhos,o seu toque,o cheiro da sua   
pele,o cabelo encaracolado.....Pergunto-me se ele estará feliz,ou se se conforma com o que não tem.
Imagino que não,ou prefiro acreditar que não.Nessa altura não existiam computadores nem telemóveis,a única coisa que eu podia fazer era fumar um cigarro,beber um copo e mergulhar na escuridão de olhos bem abertos,pois durante bastante tempo senti-me muito triste.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Prisão

Prisão
  Estou outra  vez à deriva dos acontecimentos fortuitos que vão marcando a
  minha existência.Sinto-me triste e com saudades....não sei se isto é sonho ou
  fantasia.....A tristeza e a nostalgia são as minhas companheiras!
  O tempo custa a passar,e por isso fui sair.No meio da Av. da Liberdade,
  encontro uma moça amiga que já não via a algum tempo,(e que se havia
  tornado prostituta de rua,mas eu não sabia),comecei a contar-lhe o que se  
  passava comigo,quando de repente,pára junto a nós uma ramona,e um guarda  
  empurra a minha amiga para dentro,enquanto outro me dá um empurrão no
  sentido de me empurrar também.Ofereço resistência,e ele me dá outro                                                                                                                                                                                                                                                      

safanão,o salto do sapato prende-se nas pedras e quando vou para o tirar abaixo-me,mas quando venho para cima já não venho só,trazia o sapato na mão,e com ele abri a cabeça ao policia que não esperava!
Claro que tive que entrar na ramona com as armas apontadas!Como tudo isto se passou na altura da Páscoa
e era 5ªfeira,na 6ªfeira toda a gente fez ponte,resultado tivemos que esperar até 2ªfeira para levar-mos a
injecção contra  doenças venéreas que naquela altura todas que fossem apanhadas,tinham que levar.Quando
entrei no Governo Civil,queriam saber como me chamava,disse-lhes que não tinha nome,pediram-me o cartão de identidade,disse que não tinha.Meteram-nos numa cela com mais vinte mulheres,e nessas noites
vi coisas que nunca tinha visto na minha vida.No dia seguinte,pedi para fazer uma chamada.Deixaram-me e
eu telefonei à minha mãe a pedir-lhe que telefonasse à Ivone,para pedir ao Ministro,para me tirar dali.Da parte da tarde,a minha mãe apareceu-me com a minha filha mais velha.Não gostei nada que o tivesse feito,
pois as crianças nunca se esquecem de algumas coisas que vem e que as marcam.A minha mãe,veio dizer-me que a Ivone não podia pedir nada para o Ministro,pois este não se encontrava em Portugal.Como se isso não fosse já suficiente,a minha mãe deu o meu nome,a morada e tudo o mais que a policia lhe perguntou.Na 2ªfeira,saímos depois de levar-mos a tal injecção,e de eu ter ficado indiciada para comparecer mais tarde na Judiciária.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Partida

Força Aérea


O João Paulo está quase a ir embora.
A nossa vida em comum,foi muito cheia,eu desde logo soube que ele era a minha vida,o meu único amor.Passamos por momentos de plena felicidade.
Momentos esses que nos marcaram de uma maneira surpreendente,que nos transformaram,que nos comoveram,nos ensinaram e muitas vezes até nos
machucaram profundamente.Quando entrou na minha vida,entrou por alguma
razão,com algum propósito.A vida fez-me encontrar-lo quase sem querer,
não há programação da hora em que devemos de encontrar o amor da nossa vida.Mas aconteceu,e agora deixá-lo ir,será pior que morrer....Penso nele,sei que ainda não foi embora,mas já sinto a sua falta.Sinto saudades dos passeios à beira-mar,das conversas que nos uniam nos momentos em que estávamos juntos e
não pensávamos se eram só momentos,do tempo que se prolongava à mesa do restaurante que preferíamos,
das noites de amor em que amanhecíamos abraçados.Acordo a pensar nele e vou pelo dia fora a recordar-me,como uma música de que se gosta e não nos sai da cabeça.Fecho a porta de casa,sem destino certo,e
dou por mim a percorrer as mesmas ruas,passando pelos mesmos locais onde estivemos os dois tantas vezes e que já chamávamos nossos.Penso na separação como seja também e só um temporal passageiro.
"Hoje não vou despedir-me de ti,não sou capaz."Mas porquê,pergunta-me ele?""Porque ao partires,levas contigo a minha vida e o meu coração,e não sei como irei viver sem ti.""Espera,diz ele,deixa-me ver como correm as coisas lá (em Moçambique),e se houver hipótese,eu mando-te ir."Não sei se terei coragem de 
esperar tanto tempo.""Prometo-te que de hoje a seis meses,aconteça o que acontecer,estarei junto a ti.Não
sei quando não sei como mas vou!"Ele responde,sabes,foste uma daquelas coisas boas que acontecem quando menos esperamos e que mudam a nossa vida,também não quero nem posso viver sem ti!"
E assim se foi embora,e eu tive a consciência do coração a bombear no peito como um cavalo de corridas durante os três minutos que demorou a descer as escadas e a meter-se no táxi que o levaria ao Aeroporto.   


                                                                 






 


















domingo, 19 de maio de 2013

Ciúmes

ciúmes
Contemplo a rua lá fora,o tempo está com muito má cara mas,eu tenho que sair.
Já na rua de repente,uma bátega medonha de chuva cai no meio da Primavera.Entro num café no Chiado.Faço o pedido,e quando estou há espera vejo-o sozinho algumas mesas adiante.O meu coração pára e tenho
de me lembrar de respirar ao fim de alguns segundos,suspensa numa surpresa.Passaram-se quase seis anos,mas reconhece-o sem hesitação.O
João Augusto está ali.Ele vê-me também,e aproxima-se.Passamos o resto da manhã a contar as nossas vidas,damos um passeio pelo Chiado.Sem hesitação ele pergunta-me,"Ainda estás com ele?"Pergunto:-"Com ele quem?" "O João Paulo""Soube de tudo desde que deixas-te o teu marido,até teres começado a andar com ele"."É verdade e estou muito apaixonada por ele,penso até que o facto de nos termos conhecido em Colares,nada mais foi senão o destino a fazer com que eu conhecesse o João Paulo através de ti.""Posso levar-te a casa,tenho aqui mesmo o carro?"E la fomos,quando  chegamos à minha porta ainda cavaqueamos
um pouco,até que vislumbro o João Paulo a vir na nossa direcção.Quis sair do carro mas,o João Paulo já nos havia visto.Quando saí começa a discutir comigo,cheio de ciúmes.Então o João Augusto sai do carro e diz-me para eu me ir embora que ele e o João Paulo,iam ter uma conversa.Metem-se no carro e abalam.
Fiquei  cheia de medo do que ia acontecer,e o que é que o outro tinha para falar...A situação não podia ser mais caricata e embaraçosa.O dia da nossa separação aproxima-se a passos largos e eu não queria de maneira nenhuma que ele partisse zangado comigo....Ao fim do dia,regressa a casa,sozinho,e pergunta-me o que tinha acontecido entre nós...."Pensei que me amasses...." "E amo,encontrei-o por acaso,e ele deu-me boleia para casa,foi só!" "Mas tu podes estar descansado,pois eu só te amo e vou amar-te toda a minha vida!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Lagrimas

Lagrimas
 No fim de semana telefonou-me e disse-me,para eu ir ter com ele a Lisboa,
que me esperaria na Estação do Rossio.Vesti-me e arranjei-me,e quando estava já dentro do comboio.(Sintra),parecia que nunca mais chegava mas,
o meu coração esse,já tinha voado para lá.Eram sempre assim os nossos encontros.Quando cheguei,ele beijo-me,como sempre fazia,e levou-me para um clube eram mais ou menos 21h.,mas lá dentro não havia ninguém.Porém a musica tocava a nossa musica "I always loving you".Dançamos agarrados só os dois com a pista toda para nós.O ambiênte era escuro,a iluminação dava um tom azulado que se reflectia nas paredes.Eu encosto o rosto ao seu peito,e ele beija-me o pescoço
Queria prolongar aquela tarde,mas,a musica acaba,acendem-se as luzes e a magia desvanece-se.Ele diz-me
"Tenho uma coisa para te dizer,que sei que não vais gostar" "Diz lá,disse-lhe eu",sabendo já à partida que a
minha vida ia conhecer mais um tombo.Então ele  disse-me que tinha recebido ordem de marcha para ir fazer uma comissão em Moçambique! -Já havíamos estado separados por pequenos períodos de tempo,
mas agora era por dois anos! Que ia eu fazer meu Deus?!
Voltamos para casa,eu mal falava,estava triste,tirei os sapatos e enrosquei-me no sofá chorando.Ele vem devagarinho ajuda-me a levantar,envolve-me com os braços e puxa-me para ele.Diz-me "Não chores,nós
havemos de arranjar uma maneira".Solta-me o cabelo apanhado no alto da cabeça,deixando-o cair pelos ombros,prende-me atrás da orelha com os dedos,começa a beijar-me no pescoço,afaga-me as costas,encontra o fecho do vestido,corre-o até abaixo,beija-me no ombro,faz deslizar a alça de um lado,
depois do outro.Eu deixo cair os braços com um sorriso resignado,o vestido escorrega pelo corpo,flutuando
a meus pés.Damos um passo ao lado abraça-mo-nos,beija-mo-nos dançamos.A minha mão procura o peito dele,os meu dedos soltam um a um,os botões da camisa,desaperto-lhe o cinto das calças,o botão,o fecho.A musica acaba...A roupa fica espalhada pelo chão,dirigi-mo-nos para o quarto de mãos dadas,para a cama.
Abandono-me nas suas mãos,sentindo-me como me dissolvesse nele,e penso arrebatada,"Pronto lá vou eu outra vez em direcção ao desconhecido". Mais tarde adormeço agarrada a ele.

sábado, 4 de maio de 2013

Amor Total

Amor sem fronteiras
O João Paulo,tinha um "fetiche",que era o de fazer sexo com mais do que uma mulher,e eu proporcionei-lhe isso.Eu sabia que havia três moças doidas
por ele,como eu o amava e só vivia para lhe dar prazer,convidei-as para uma sessão a 5.Quando lhe apresentei as moças ficou ansioso,nervoso,mas depois de começar-mos eu é que fiquei chocada,cheia de ciúmes,mas aguentei.Quando estávamos quase no final,ele à frente daquele mulherio todo
disse:"o resto é para a minha mulher".
Deitou-me então na cama,e por momentos o seu pénis ficou quieto dentro de
mim,túrgido e palpitante.Depois começou a mover-se,num orgasmo imediato e inevitável e subitamente,
dentro de mim despertaram novas sensações que me percorreram toda.Tremia,abracei-o,perdida de paixão
inconsciente e ele não me abandonou,e eu senti-o de novo dentro de mim,em ritmos estranhos,num estranho
movimento rítmico que em contracções e descontracções,preencheu todo o meu corpo,e então recomeçou
aquele movimento que invadem a carne e a consciência,num turbilhão de sensações.Eu continuava estendida
dando pequenos gritos inconsciente.Era a minha voz que rasgava as trevas profundas da noite,enquanto
apreciava o sémen dele que me invadia.Depois daquela cena toda só posso dizer que atingi a satisfação sexual total.
Passaram duas semanas e o João Paulo,telefonou-me a dizer que ia chegar mais tarde pois ia beber uns copos com uns colegas.Eram mais ou menos umas dez hora da noite,recebi uma chamada,(de uma daquelas
raparigas que tinha estado "naquela noite"),a dizer,que ele estava no "Fontória"a conversar com uma rapariga.Não sei como,vesti-me num ápice e dirigi-me lá.Quando entro vejo-o com a tal moça,Vou direita a
mesa,e ele só me disse "vê lá o que vais fazer"! Eu atirei com os copos e a garrafa e depois a mesa,virei as
costas e vim embora.A partir daí fiquei com as entradas cortadas em quase todos os clubes nocturnos,mas não me importei.Aquele homem era meu!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Gravidez

R: Francisco Tomás da Costa
 Fui morar para a R: Francisco Tomás da Costa,e a vida seguiu o seu curso,entre encontros com o Rodrigues e claro o João Paulo.Um dia meteu-se-me na cabeça que devia de ter um filho do João,E se melhor o pensei.....só que eu estava convencida que bastava amarmos com paixão para que o filho saísse daquela pessoa que nós amamos....Com medo que o Rodrigues ao saber,me deixasse,fui ter com a minha mãe, e pedi-lhe que me desse a morada do meu pai; desde pequena que eu vinha ouvindo a minha mãe dizer,que o meu pai era espanhol,natural   do Haiti,e possuía uma hidroeléctrica,que dava luz para toda a cidade de Port-au-Prince.A minha mãe ficou toda aflita e depois de muito apertar com ela,vim a descobrir a pior notícia da minha vida.Afinal eu era filha de um tal Rodolfo,que fizera a vida negra a minha mãe!O nome que ainda hoje uso,nada mais era do que o de um bom homem,muito mais velho do que a minha mãe,que teve pena dela e me aperfilhou.Se me tivessem dado um soco no estômago não teria feito tanto efeito como aquela revelação! É dificílimo aceitarmos algo que durante tantos anos acreditámos ser verdade,e que no final não é........
Durante a minha gravidez ainda tentei desmanchar,tomando umas cápsulas que fizeram que eu me desfizesse em hemorregias,mas a criança não saiu.Tive que levar a bom termo esta gravidez.O Rodrigues andava radiante,pois como não tinha filhos,julgava que eu lhe iria dar a criança que eu trazia no ventre.
O João não deixou de me vir ver,sempre carinhoso,e igual a ele próprio.
No meu prédio  havia uma rapariga de "Cabaret",que se começou a fazer ao Rodrigues,e este,no espaço de seis meses,comprou-lhe um carro!Só mais tarde vim a saber disto não me preocupei,pois se eu não podia,(ao não queria ter relações com ele),era natural que procurasse noutro sítio.Até que o grande dia chegou,fui levada para uma boa clínica particular e tive uma menina pequenina como o pai.Deus escreve direito por linhas tortas,e eu tive mesmo uma filha do Rodrigues.Entretanto a nossa relação foi esfriando naturalmente,
pois ele foi-se apaixonando pela tal rapariga.Eu comecei a ver que já não podia ficar muito mais tempo naquela casa,a pagar aquela renda sem o contributo de ninguém,mudei-me mais uma vez,fui viver para Campolide,e continuei a fazer a minha vida só parando quando o João Paulo vinha a Lisboa.