| Torremolinos |
Passou um mês +2 dias,ando a conta-los contra vontade.Durante este
tempo aproveitei para vender mobílias e dar a minha mãe,tudo aquilo que
poderia ser vendável ou interessante para as minhas filhas.O facto de eu
querer fugir,não é só por eu poder ir responder,por ter aberto a cabeça
ao policia mas,também porque eu souber que existe um inspector na Judiciária que diz se encontra-se a mãe dele na rua,a prendia! O que se
pode esperar dum gajo destes? Resolvi fazer um trio com a Lucy mais a
Fernanda,e claro eu.E fomos para Espanha.
A carruagem vai quase vazia.Aproveitamos uma oportunidade que andava a adiar,por amor.Mas agora já
nada me prendia a Lisboa.Parti,mas não sem antes dizer à minha mãe que viria buscar as minhas filhas.A
distância é uma coisa boa,mas as recordações dolorosas vieram comigo,porque a memória não se desliga
A tristeza só esmorece com o tempo,seio bem,mas isso não me ajuda mais.O tempo custa a passar....
Vamos trabalhar para Torremolinos. A principio ainda andei meio murcha,mas depois a esperança tomou
conta de mim.Só pensava que ia arranjar dinheiro para ir buscar as minhas filhas e voar para o pé dele.
É de noite,deitada sem as minhas colegas verem,é que as lágrimas descem pelo meu rosto desolado.É altura
pior do dia,pois lembrou-me da sua voz e do modo como se ria,os seus olhos,o seu toque,o cheiro da sua
pele,o cabelo encaracolado.....Pergunto-me se ele estará feliz,ou se se conforma com o que não tem.
Imagino que não,ou prefiro acreditar que não.Nessa altura não existiam computadores nem telemóveis,a única coisa que eu podia fazer era fumar um cigarro,beber um copo e mergulhar na escuridão de olhos bem abertos,pois durante bastante tempo senti-me muito triste.
Nenhum comentário:
Postar um comentário