quinta-feira, 23 de maio de 2013

Prisão

Prisão
  Estou outra  vez à deriva dos acontecimentos fortuitos que vão marcando a
  minha existência.Sinto-me triste e com saudades....não sei se isto é sonho ou
  fantasia.....A tristeza e a nostalgia são as minhas companheiras!
  O tempo custa a passar,e por isso fui sair.No meio da Av. da Liberdade,
  encontro uma moça amiga que já não via a algum tempo,(e que se havia
  tornado prostituta de rua,mas eu não sabia),comecei a contar-lhe o que se  
  passava comigo,quando de repente,pára junto a nós uma ramona,e um guarda  
  empurra a minha amiga para dentro,enquanto outro me dá um empurrão no
  sentido de me empurrar também.Ofereço resistência,e ele me dá outro                                                                                                                                                                                                                                                      

safanão,o salto do sapato prende-se nas pedras e quando vou para o tirar abaixo-me,mas quando venho para cima já não venho só,trazia o sapato na mão,e com ele abri a cabeça ao policia que não esperava!
Claro que tive que entrar na ramona com as armas apontadas!Como tudo isto se passou na altura da Páscoa
e era 5ªfeira,na 6ªfeira toda a gente fez ponte,resultado tivemos que esperar até 2ªfeira para levar-mos a
injecção contra  doenças venéreas que naquela altura todas que fossem apanhadas,tinham que levar.Quando
entrei no Governo Civil,queriam saber como me chamava,disse-lhes que não tinha nome,pediram-me o cartão de identidade,disse que não tinha.Meteram-nos numa cela com mais vinte mulheres,e nessas noites
vi coisas que nunca tinha visto na minha vida.No dia seguinte,pedi para fazer uma chamada.Deixaram-me e
eu telefonei à minha mãe a pedir-lhe que telefonasse à Ivone,para pedir ao Ministro,para me tirar dali.Da parte da tarde,a minha mãe apareceu-me com a minha filha mais velha.Não gostei nada que o tivesse feito,
pois as crianças nunca se esquecem de algumas coisas que vem e que as marcam.A minha mãe,veio dizer-me que a Ivone não podia pedir nada para o Ministro,pois este não se encontrava em Portugal.Como se isso não fosse já suficiente,a minha mãe deu o meu nome,a morada e tudo o mais que a policia lhe perguntou.Na 2ªfeira,saímos depois de levar-mos a tal injecção,e de eu ter ficado indiciada para comparecer mais tarde na Judiciária.

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