domingo, 27 de outubro de 2013

Último Adeus

Viagem de regresso
Antes de sair de África,fui despedir-me da Vanda,indo a sua casa,
onde em vez dela encontrei o marido.Enquanto esperava, ele perguntou-me para quando o meu regresso a Portugal,respondi-lhe
que daí a dois dias.A resposta dele,foi,"acho muito bem,as mulheres
querem-se com os seus maridos".Achei estranho aquela resposta.
Seria que ele julgava que eu tinha deixado o Zé porque tinha um amante?Mas depressa deixei de pensar no assunto,porque entretanto
a Vanda chegou,e com as despedidas,os beijos e os votos de felicidade,depressa me esqueci da conversa.
Quando chegamos a Lisboa o Zé estava à nossa espera.Os miúdos
não estavam muito receptivos,mas como tudo era novidade para eles,
depressa passamos a contemplar a cidade,e encetamos a viagem para
Condeixa,que era onde a irmã do Zé tinha uma mercearia,e o marido era construtor civil.Telefonei à minha
mãe,mas não fui lá,pois estava com vontade de ver a casa que o Zé havia alugado para nós,e também porque precisava de descansar.A casa era fantástica,nunca mais tive uma casa tão boa como aquela.Tinha três quartos e uma sala,onde as coisas que eu possuía,(e eram muitas),ficavam a nadar.Mas embora eu gostasse do que via ainda não me sentia à vontade.Tudo me veio de novo à lembrança......e perguntei ao Zé
como era?! O que tencionava fazer,quais eram os planos para o futuro? Respondeu-me que estava tudo controlado e que para começar iríamos pôr os miúdos a estudar numa escola que havia ali em Condeixa.Não fiquei nada entusiasmada,porque eu sabia que os meus filhos mais velhos,que no colégio onde tinham andado,eram alunos de quadro de honra,seria muito difícil,pois eles sabiam muito pouco de português.Em casa eles falavam em inglês,e eu respondia em português,como seria que eles iriam resolver este problema?
O tempo foi passando,a princípio dava-me com a irmã do Zé,embora eu a achasse cínica,não só comigo como também com os clientes.Eu tinha vindo com bilhetes de ida e volta.Como eu via que o Zé estava um
pouco mais sovina no que dizia respeito ao gasto doméstico,um dia perguntei-lhe o que se passava.....ao
que ele me respondeu que havia emprestado uma avultada quantia ao cunhado,e ele ainda não lhe havia devolvido,por estar à espera de um empréstimo bancário,que o mesmo havia pedido ao banco.Passado
algum tempo o Zé começou a vender algumas coisas que havíamos trazido de África.Já farta desta situação
resolvi dirigir-me ao Banco,e perguntar como estava o caso do empréstimo do meu "cunhado",ao que o
Director me respondeu,que não havia nenhum pedido de empréstimo,e mesmo que houvesse,não lhe emprestariam pois ele estava em banca rota.Dirigi-me a casa,e fui buscar os bilhetes com intenção de voltar novamente a África,só que eles haviam expirado dois dias antes!

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