segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Mais uma mudança

Algarve
Os meus filhos todos os dias viam sair coisas de casa.O pai não fazia um
esforço para arranjar trabalho.Os miúdos resolveram ir para as obras.O
meu coração sangrava quando à noite via as suas mãos calejadas e feridas.....pensava,que nunca me devia de ter metido naquele avião para Portugal. Um dia,depois de muita discussão resolvemos ir ao Algarve,à
procura de trabalho,estávamos no princípio do Verão.O Zé ainda tentou
que fossemos para França,e que "abandonássemos"os meus filhos com a
minha mãe,mas eu que já havia perdido as minhas filhas,não estive de acordo,e resolvemos ir tentar a nossa sorte os quatro O JCarlos como
andava na escola,resolveu-se,que ficava com a minha mãe.Um dia,comecei a fazer os preparativo para seguirmos para o Algarve,quando uma pasta do Zé caiu no chão,e eu vi umas cartas que por virem assinadas por "Vanda",me despertaram a curiosidade.Comecei a ler uma que dizia assim:"Zé venho dizer-te
que não contes mais comigo para ir ter contigo a Portugal.Também te quero pedir para que não me telefones mais,visto que o meu marido no outro dia me apanhou a falar contigo,e deu-me uma sova que quase me ia matando.Esquece o que houve entre nós pois por meu lado eu já esqueci! Vanda".
Não posso dizer que senti raiva,para o sentir eu tinha que o ter amado,eu não o amei mas,sempre lhe fui fiel,e admirava-o.Agora é que eu percebia como ele sabia das coisas que passavam e que estupidamente
contava à sua amante.Afinal tudo aquilo que o meu filho mais novo dizia que ouvia era verdade...os beijos.os gemidos....Quando ele chegou a casa confrontei-o com o que eu havia descoberto.E disse-lhe:
"Não vale a pena falarmos,para quê,quanto mais falarmos mais a gente se magoa um ao outro,fomos nos
distanciando tanto com o tempo,sinceramente nunca imaginei que isto acontecesse."
A partir daí as coisas começaram a correr mal devagarinho,quase que não demos conta disso de repente,
tão longe um do outro,linguagens diferentes,falta de paciência,silêncios que magoam,frases a que não se responde,uma irritação surda,uma impaciência que se tenta disfarçar sem se conseguir disfarçar totalmente,
um desconforto mudo mas presente,cada vez mais presente,uma espécie de enjoo,uma espécie de desgosto,
e me encontro a perguntar,o que faço aqui,o que fazes aqui,qual o motivo de continuar-mos juntos se não faz sentido,qual o motivo de teimarmos ainda? Já nada nos une a não ser os filhos,e por isso a nossa vida tornou-se árida sem sentido.

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