quarta-feira, 10 de julho de 2013

ilusões

Ilusões
 A vida continuava a correr assim,ia trabalhar no bar,onde cantava,e ele alguns dias ia-me buscar.Tinha a certeza que se o deixasse  de vez,morreria um pouco mais cada dia.Certa vez,um colega veio dizer-me que ele havia saído da aviação.Nessa noite quando o bar fechou,fui direita a sua casa ,e como tinha a chave abri a porta.Lá dentro encontrei-o com uma rapariga qualquer na cama.Ele deve ter sentido que eu havia entrado,embora eu me tivesse sentado à entrada.
Não sei o que se passou,só sei que daí a pouco a moça saiu.Virei-me para ele e perguntei-lhe porque havia saído da aviação,ao que ele retorquiu que tinha sido por minha causa,andava a beber demais,e uma manhã depois de uma noite de bebedeira,foi chamado para um voo de reconhecimento,e ele como era navegador fez mal os cálculos,e meteu o avião na baía de Lourenço Marques! Foi deposto da aviação.
Senti-me culpada. Mas,nessa noite não fiquei com ele,e disse-lhe,"se ficasse contigo seria um fardo para ti,acho que precisas da tua liberdade e eu da minha"."Não respondeu ,eu estou preso a ti,preciso de ti como tu precisas de mim". Eu encolhi os ombros,e armando-me em forte disse-lhe"mas já não preciso",e virei-lhe as costas e saí.Fui para casa e chorei como uma doida,só queria morrer.Alguns dias depois vim a saber que se tinha empregado na propaganda médica.Tentei esquece-lo,mas como se pode esquecer uma doença crónica? Os dias passava-os bem mas as noites eram muito difíceis de passar.Numa dessas noites,alguém me disse que ele estava com uma rapariga dum cabaret.Apanhei um taxi e fui à procura dele aquele homem era meu! Encontrei o carro dele ao pé dum cabaret,onde as moças dormiam.O taxista ainda tentou parar-me (porque me conhecia),mas eu saí do carro e furei-lhe os quatro pneus!

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