quarta-feira, 24 de julho de 2013

Acidente

Acidente
 Estamos no ano de 1970.Houve grandes mudanças na minha vida.Mudei de
casa,pois fiquei com medo de morar numa casa de rés-de-chão,derivado aquilo que se passou,e passei para outra no 1º andar.Entretanto o Zé quis que eu saísse do Bar,e eu disse-lhe que só faria,se tivesse algo meu onde trabalhar.Ele alugou-me um Bar-Restaurante,onde iam todos os empregados da Macmaon (companhia de cervejas,mais os casalinhos que desejavam almoçar ou jantar,sem que ninguém os visse ou incomodasse,porque eu tinha bangalôs.Come-se frango à Cafreal,Caril de Galinha à Indiana,Tripas à moda do Porto,e tantos outros.Tive muito sucesso.Enquanto o Zé está de viagem,a casa enche-se.Quando ele chega (não sei como se sabe),só os bangalôs continuam a trabalhar bem?!
Um dia a minha amiga espanhola,telefona-me e diz-me que tem novidades para me contar.Fui vê-la e o que ela me disse,foi que o João Paulo,se havia casado! Foi um choque para mim.A espanhola pediu-nos que a levasse-mos a Vila Pery,pois tinha ficado sem carro.Como eu depois de uma notícia daquelas ,não podia nem queria ter nada com o Zé resolvi levá-la.Nessa noite como eu previa,pernoitamos na sua casa.No dia seguinte o Zé recebeu um telefonema,onde lhe disseram que ele tinha de regressar à Beira,pois tinha um carregamento para fazer.O Zé não sabia andar devagar.mas naquele dia tinha resolvido que faria 120Km em 1/2h .Eu só vi que os nós dos seus dedos ficarem brancos de apertarem o volante,(eu não dei por nada),só que o carro que se dizia que não capotava,capotou seis vezes!Pensei que não sobreviveria,pensei que iria morrer,ele bem carregou no travão mas,não lhe serviu de nada.Primeiro saiu o tejadilho,depois fui eu,que fui projectada,e fiquei para lá dum ibundeiro.O carro entretanto deu seis voltas e parou do outro lado da árvore,onde eu estava estatelada.Ele petrificado sai de cima do chasi e as quatro rodas,que foi a única coisa que restou do carro.Ele chama por mim mas,eu continuou de olhos fechados,com o medo,não respondo.Por
fim ele encontra-me,alguém já chamou uma ambulância.Todo o caminho ele só me pede para eu abrir os olhos,mas eu com o medo não o faço até chegarmos ao Hospital da Beira.Eu só consigo pensar que há dias que mudam uma vida.

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