| as minhas boleias |
Toda a gente acreditou,e eu cheguei a Coimbra já de noite.Como nada conhecia aí,comecei a deambular ao longo do Mondego,isto passa-se no ano de 1960.
Os estudantes assim que viram uma miúda a andar por ali,começaram a rondar-me com os carros,mas como eu não dava trela,a pouco e pouco foram-se embora.Somente um carro com quatro estudantes,não desistiram.Pararam e vieram ter comigo e perguntaram-me o que estava ali a fazer.É claro que lhes contei a mesma história Só aumentei o nome da firma da qual o escritório do meu padrasto estava agregado Disse-lhes que não tinha dinheiro para chegar a Mira,e por isso estava a fazer horas para pedir boleia.Os moços ofereceram-se para me pagarem o Hotel para ficar,e aí eu disse-lhes que não era o que eles pensavam,e que não iria para a cama com nenhum deles.Os moços responderam,que ninguém ali queria ir para a cama,mas sim ajudarem-me a chegar á minha mãe!
Fiquei no Hotel,e no dia seguinte,quando saí,qual não foi o meu espanto,estava um dos estudantes com um bilhete de camionete para Mira! Agradeci e continuei a minha viagem.Por fim cheguei a Mira e pôs-me a andar num jardim que havia à beira da ria,sem nunca imaginar que estava a ser observada por um dos estudantes que me havia seguido no seu carro.
Passados alguns minutos,vi um moço aproximar-se de bicicleta,olhei melhor e vi que era o João Augusto.Quando este chegou mais perto,voltou-se surpreendido e perguntou-me,"Tu não és doida"? Ao qual eu respondi,"Não eu só vim para tu tomares conta de mim"!
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