| vida de palhaço |
Até que um dia sem eu saber bem porquê,as minhas colegas me convidaram a
ir com elas,(á saída do teatro),ao Nina que era um clube nocturno que ainda
hoje existe.Não vi mal nenhum nisso,a minha vida era muito árida,e eu pensei que seria algo diferente.Assim que entramos compreendi que não gostava daqueles ambientes,luzes psicadélicas a piscarem cores que encadeavam,
musica demasiado alta,da confusão de pessoas a dançarem,atropelando-se
alegremente,lançando gargalhadas ruidosas que se perdem debaixo de decibéis
elevados.Entretanto,um empregado chegou ao pé de mim com uma bebida
dizendo que um Sr.que estava no balcão,me havia enviado.Arrisquei um olhar
tímido por cima do ombro,e encarei com um velhote,que me fez uma saúde com o copo.Agradeci-lhe fazendo o mesmo sinal.Poucos minutos depois,o tal Sr. veio sentar-se a meu lado.Tomamos mais algumas bebidas,perguntou-me como tinha vindo até ali,expliquei-lhe,e disse-lhe que fazia parte do elenco do Teatro Maria Vitória,e no final da noite foi-me pôr a casa,Perguntou-me se podia convidar-me para almoçar no dia
seguinte,disse-lhe que não,pois derivado ao adiantado da hora,eu deveria de me deitar e dormir oito horas,
as quais eu necessitava.Despedimo-nos até um dia!
Mas,no dia seguinte recebi no meu camarim,um ramo de rosas vermelhas,com um bilhete para jantar.Aceitei
e jantamos mesmo no Parque.Conversamos e ele disse-me que havia vindo de Angola,era viúvo e que precisava de uma pessoa para lhe fazer companhia ,e quem sabe algo mais.....Pedi-lhe tempo para pensar,
mas a vida era dura,quando se está só,e que mal teria se eu tivesse um amigo?
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