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| chorando pela minha filha |
Escrevemos porque nos ensinaram a juntar letras e a compor palavras que podem expressar aquilo que vemos,ouvimos e sentimos.Contamos porque sabemos que a representação dos números é um caminho possível para enumerar o caos e contabilizar quase todas as coisas da vida.Rimos e choramos porque no trajecto da infância,algures numa curva mais doce,ou mais sinuosa,percebemos que a água salgada dos olhos nos lava a alma,ou que o som estridente de uma gargalhada é mais poderoso que qualquer fármaco.Em suma,experimentamos uma série de sentimentos e estados de alma e manipulamos meia dúzia de faculdades porque as aprendemos.E foi mesmo esse estado de alma que me fez ter medo daquela vida que agora encetava.Que podia mais eu fazer? A vida em Portugal estava tão mal que não havia posições,a não ser para pessoas com os seus cursos acabados,e o meu tinha ficado pelo terceiro ano comercial.Também não tinha pessoas poderosas que me metessem num cargo bem remunerado que me desse a possibilidade de eu poder viver com a minha filha.Eu queria poder ir vê-la,pegar-lhe dar-lhe beijos e carinhos,mas algo me impedia,talvez porque não tinha nada para lhe oferecer,como a minha mãe me tinha feito a mim,deixá-la sozinha num quarto alugado,(pois isso eu tinha,uma colega havia-me arranjado),enquanto eu contracenava.Não isso eu não podia fazer! Entretanto a minha mãe, casou com o meu padrasto,para poder pedir a custódia da minha filha.Aí eu compreendi que a havia perdido para sempre,pois como o meu padrasto era estéril,a minha mãe havia arranjado maneira de lhe dar uma filha,a minha........
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