| mudanças de vida |
mesmo tempo assustadíssima.
A minha casa,estava cheia de balas,uma ponte 21,(uma espingarda para matar elefantes).Dentro dos vasos de flores,metidos dentro de sacos de plástico,haviam granadas.Ouviam-se coisas incriveis .....que a Frelimo entrava nas nossas casas e matavam as famílias.Ás vezes apenas e só, porque tínhamos uma faca de cortar o pão.Era o ambiente em Moçambique em 1975!
Nessa noite combinei com o Zé,começarmos a fazer as nossas malas,a arrumar tudo que pensávamos levar,
e partir para a Rhodésia,mas o Zé estava "marcado",pois não era nada "meigo",quando algum africano lhe faltava ao respeito,ficou por isso combinado que ele iria à frente,e nós,(eu e os miúdos),logo atrás de comboio.Nós tínhamos um pick-up,que era um móvel que dum lado tinha gira-discos e do outro rádio,era forrado atrás,por uma placa de cartão fininho,pregado por pregos muito pequeninos,onde pusemos a espingarda e as balas escondidas.Quando apanhamos o comboio,as nossas coisas foram num vagão de mercadorias.Antes do comboio arrancar,eu fui chamada,para mostrar as mercadorias.Sabia que se alguma coisa fosse encontrada,seríamos presos,mandados para um campo de concentração,e os miúdos seriam criados,para engrossarem as hostes da Frelimo.Era preciso muita cabeça fria e sentido de autocontrol,que eu não tive....nunca paguei tanta cerveja,como naquele dia,gritava como uma maluca,com os miúdos,"anda para aqui,não mexas aí".....parecia doida,só parei quando eles me assinaram o papel para a Alfândega e me mandaram seguir.Eu só pensava que poderia ter acontecido uma tragédia....A viagem demorou quatro horas até Salisbury,e quando cheguei ao pé do Zé,ainda tremia.Ele já havia alugado um apartamento no centro.Aí ficamos durante dois anos,ao fim dos quais arranjei outro,um pouco mais fora do centro,e onde arranjei uma nany,para tomar conta dos meus rapazes,para eu poder ir trabalhar como balconista do O.K. Bazaar.
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