sábado, 15 de junho de 2013

1º Emprego

Balconista
 Eu tapo a boca com a palma da mão,espantada numa alegria incontida,o coração salta,uma lágrima feliz turva-lhe a visão.Ele abraça-me e diz-me em segredo Voltei minha querida.O João Paulo tinha chegado finalmente!
O Alexandre passou-lhe o apartamento,pois ele dizia que não podia mais viver
nele,por ter sido onde havia vivido com a  moça que morrera.
Eu entretanto,arranjei um emprego como caixeira,na melhor loja de modas da Beira,a "Soraya".Estive lá quase dois anos.Continuamos a  ir comer ao tal restau-
rante na praia,e era-mos felizes,só que ele não me falava na hipótese de fazer-mos vida de casados,e quando eu lhe falava  nisso,ele sempre me dizia que primeiro queria acabar a vida militar.Porém,no final desses dois anos meteu mais
dois.....
As nossas noites continuavam a ser perfeitas,não lhe encontrava menos interesse
por mim,pelas minhas carícias,pelo meu amor.Começava-mos as vezes no banheiro,onde a sua mão me acariciava  meigamente,e era infinitamente tranquilizadora e segura.Depois beijava-me.Eu deixava-me ficar muito quietinha,enquanto ele pegava em mim e me levava para a cama.Deixava-me ficar imóvel,numa
espécie de adormecimento,de sonho.Estremecia quando sentia a mão errante extremamente inábil,sob a pele.Mas aquela mão sabia bem o que fazer e o que queria.Nunca deixei de amá-lo.Sei que amava tudo
aquilo que ele representava na minha vida,sabia a falta que ele me havia feito desde que partiu,a angústia
devastadora que me deixou,tão forte que me ficou uma vontade incontrolável de o ter de volta.
Na loja em que eu trabalhava,havia um camionista que fornecia mercadoria,e que sempre se metia comigo.
Eu odiava o homem.Não gostava da maneira dele sempre a convidar-me para ir beber café,para almoçar....
Até que um dia vi um anúncio no Jornal,para escrituraria para uma "Cromagem Lusitana",e fui responder,
esperando ver-me livre daquele camionista,que me fazia uma abordagem serrada.E consegui o lugar.      

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